De Maetrik a Maceo Plex

Analisar os últimos anos da produção de dance eletrônica sem considerar o legado de Maetrik seria como falar de criação digital e não citar glitch art. Maetrik também é conhecido como Mariel Ito e, mais recentemente, como Maceo Plex. Por trás de todas essas entidades existe um talento que responde pelo nome Eric Estornel. É ele o autor de cadências imprevisíveis de dark techno e sexy house – não necessariamente nessa mesma ordem.

O produtor falou com a gente do seu método de criação e sobre o futuro da produção musical em geral. Ele ainda detalha os universos paralelos de Maetrik, Maceo Plex do próprio Eric e, por fim, explica as ideias por trás do seu novo selo, o Ellum Audio.

HISTÓRICO


Maetrik – The Prophecy


Maetrik – Bottom Heavy (Original Mix)

Maetrik foi a faceta mais conhecida do artista até agora, ele estreou no selo Imminent Records no ano 2000, porém, a ressonância maior só veio com o album “Casi Profundo”, uma brilhante fusão de melancolia sintética e batida descontrol, lançada pelo selo alemão Treibstoff em 2005.

Depois disso ficou fácil exaltar o produtor, já que dentre suas faixas – por vezes conceitual, por outras precisamente dançante – cada uma retém um universo próprio. Nos últimos dois anos, o produtor se distanciou do serrilhamento black-silver para flertar com sombreamentos sensuais. A faixa “Snorkel”, uma das últimas colaborações de Maetrik no selo Cocoon, ilustra bem essa mudança de estilo.


Maetrik feat. Kule Runner – Snorkel (Original Mix)


Maetrik & Maceo Plex – Fabrick

Essas duas manifestações, mesmo que contraditórias, ainda se confrontam em uma faixa bipolar, “Fabrick” é a sequência onde Maetrik e Maceo Plex entalham as oscilações do passado com as novas influências. Nete ponto, os resquícios do techno cacofônico apresentam toda uma eufonia emotiva, até então inédita.

Maceo Plex lançou seu primeiro álbum, “Life Index”, no começo deste ano. Dessa caixinha de post-techno soul, saltaram vocais passionais, acordes de piano e bassline elásticas para definir com classe a nova mutação do artista.

Atualmente, Eric apresenta Ellum Audio, uma nova estética musical em forma de selo – pense sensualidade obscura, em um conceito mais estético, no corpo sendo guiado pelo ventre. Melhor, solta o play.


Maceo Plex – Vibe Your Love


Maceo Plex – Aint That Love (Original Mix)

QA’s

Quais eram os seus sonhos quando criança?
Até onde lembro, eu realmente queria criar minha própria música. Isso pode soar estranho, mas é verdade. Talvez eu quis ser piloto de avião depois de ter assistido Top Gun, mas só foi por um momento.

Como o Eric Estornel usa seu tempo livre?
Jogando boliche ou Street Fighter. Passo a maior parte do tempo com a minha noiva. Adoramos andar e fazer compras nas cidades que visitamos (risos)

O que um produtor iniciante deve considerar importante?
Entender que tipo de música ele ou ela quer criar. Ter uma visão clara depois de começar a compor faixas próprias .

Qual é a inspiração por trás de Maetrik?
Maetrik foi um nome que eu criei em 99, na época eu me ocupava com a composição de techno geométrico e futurista. Sempre fui fascinado por som obscuro e visionário pelo fato de amar ficção científica. Acho que sempre adorei sound design extraordinário.

Além de ter mudado para Valência, o que mais contribuiu para o nascimento de Maceo Plex?
Minha relação com a minha noiva e o fato de que as coisas estão desacelerando. Nos últimos tempos tive a necessidade de ouvir música com um tempo reduzido, a partir disso comecei a criar música da mesma maneira. Está sendo ótimo.

Como você lida com datas finais e procrastinação?
Sou terrível com deadlines… Geralmente me atraso. Não consigo produzir uma faixa em um dia só. O que eu faço é um esboço em um ou dois dias e volto a revisar depois de uma semana. Só então eu percebo o que ele precisa para ser uma boa faixa. Se você nao se afastar da criação de vez em quando, você nunca vai ouvi-la corretamente.

O que te deixa satisfeito quando você se apresenta live?
Fico satisfeito com uma pista cheia de mentes abertas dançando simultaneamente. Claro, trabalhar com um promoter profissional é sempre bom.

Já pensou em transformar sua performance audiovisual?
No momento não penso muito sobre visuals, já que deixei as apresentações um pouco de lado. Talvez isso seja algo pro futuro.

5 álbums favoritos de todos os tempos?
808 State – Best Of
MJ – Thriller
Cameo – Best Of
Dr. Dre – The Chronic
Depeche Mode – Violator

Que ferramentas usa para produção musical?
Keyboards, Ableton, um bom microphone e VSTs.

Quais são suas premonições para o futuro da produção eletrônica?
Há anos as coisas se desenvolvem no sentido orgânico. Algumas pessoas também tentam replicar sons do passado. Acho que um combinação dos dois pode ser o futuro. Sonoridades vintage sintéticamente orgânicas?

Conte-nos sobre o novo selo e as ideias por trás dele.
Ellum é o meu bebê e a ideia é procurar house e disco que soam dark e sexy. A ênfase é na obscuridade pelo fato das pessoas já terem ouvido disco alegre por muitos anos. Ellum é para aqueles que querem mixar ocasionalmente faixas de deep house que soam sombriamente sexy. O selo é meio que parecido com Visionquest, Crosstown e Hot Creations, mas o caminho é estabelecer um estilo próprio dentro desse grupo de selos. Christine (minha agente) é parte integral do projeto, também acabamos de listar Danny Daze para ajudar com A&R. Quando nos encontramos, o papo é só música. Com certeza o ano de 2012 será louco e produtivo para o Ellum!

Read the english version / Leia a versão em inglês

marcos.oliveiraEscrito por Marcos B. Oliveira em 7 de dezembro de 2011

comente

  1. Manchinha

    Manchinha disse em 9 de dezembro de 2011

    Respect Top 10 World ;-)

  2. kate blind

    kate blind disse em 9 de dezembro de 2011

    a-hazou billlll

  3. Fabio Spavieri

    Fabio Spavieri disse em 7 de dezembro de 2011

    O TOP 5 fo rapaz já diz o porque do seu sucesso. Violator!