db138 Arthur Camargo

25 de janeiro de 2012

Arthur Camargo é um artista full time. Tatuador e sócio do estúdio Analogic Love, Arthur traspôs a pele e levou sua arte de traços precisos, cores vibrantes e formas inspiradoras para outras superfícies, pintando murais, objetos de design e mobiliário. DJ part time, buscou na música a mesma estética que permeia seu trabalho e influencia todo universo à sua volta.

Para esse dbseries, Arthur vasculou sua coleção de vinis e escolheu faixas que despertam um clima sensorial e introspectivo. Confira mais na entrevista a seguir e curta o som de ouvidos bem abertos.

Qual a história deste set? Quais foram as inspirações e o clima que você quis criar?
Quis fazer um set como se fosse uma trilha sonora para um filme. A inspiração foi o meu próprio acervo de vinis, sem me preocupar com um estilo definido ou qualquer outro rótulo. O clima é sensorial e introspectivo, através das texturas das músicas… chamo de ‘audiomental’.

Você diz que usa a mesma linguagem para todos os seus trabalhos. Que liguagem é essa que permeia seu universo artístico?
Me comunico através de uma estética: tanto os desenhos quanto os sets são sempre uma história a contar. Cada momento que vivo determina o tom e o clima dessa história.

O Analogic Love – estúdio que mantém com Maria Fernanda Brum – leva os traços e a linguagem da tatuagem para superfícies além da pele, como objetos de decoração e móveis. Como isso começou?
O Analogic nasceu da necessidade de expandir os horizontes além da pele e de levar esta arte para outros suportes, respeitando a elegância que costumo trabalhar nas tatuagens; pensar nas outras superfícies também como um corpo.

Você costuma ouvir música quando está tatuando ou trabalhando em um mural, por exemplo? Qual é a trilha sonora geralmente?
Sim, a música está muito presente. Escuto de tudo: Joy Division, Fever Ray, Stone Roses, Cazuza, Depeche Mode, Underworld. Enquanto tatuo ou pinto, estudo as músicas e isto acaba sendo um ponto de partida para o momento criativo na construção dos sets. Já me peguei contando BPMs ouvindo, por exemplo, Tina Turner, Peter Murphy…

Quais são suas maiores referências na arte e na música?
Na arte me inspiro em trabalhos do tradicional artista japonês Hokusai. Também estudo as escolas da Art Decó através do Erté, e Art Nouveau, pelo Mucha.
Na música trago influências desde os anos 80. Gosto muito das bandas que citei e dos produtores mais novos Jacob Korn, John Waynes, Ian Pooley, Solomun e Funk D’Void.

Quais os projetos em andamento e as novidades para 2012?
Acabei de inaugurar mais uma sala nos Jardins, onde pretendo comercializar uma linha inédita de mobiliário e peças de arte.

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