Bonobo estreia no Brasil com banda afiada e público sedento por hits

Por Anderson Santiago
Fotos Helena Yoshioka (I Hate Flash!)

 

Em 20 anos de carreira, foi a primeira vez que o DJ e produtor inglês se apresentou no país com banda completa; o show foi linear e correto, com destaques às faixas do último disco de estúdio, "Migration", de 2017 

 Bonobo

Bonobo

Com quase 20 anos de carreira como Bonobo, o britânico Simon Green goza de um status que poucos artistas de música eletrônica têm hoje: ele consegue fazer som autoral sem apelar para batidas pop, vertentes da moda ou experimentalismo cabeçudo, conquistando os mais variados tipos de fãs. Essa originalidade aliada à energia de um veterano das pistas foram aspectos latentes do show que apresentou na última sexta-feira (dia 17), no clube Audio, em São Paulo.

Nessas duas décadas, com sete discos de estúdio na bagagem, foi a primeira vez em que ele trouxe sua banda completa ao Brasil. Isso talvez explique a catarse do público local, que lotou a casa e cantou em uníssono grade parte das músicas, a maioria delas oriunda de seu último disco, "Migration", lançado no ano passado. Uma surpresa para um artista eletrônico que, apesar de ter muitas de suas trilhas usadas em series e peças publicitárias, ainda  não toca em rádio comercial e prefere se mantêm à margem do mainstream.

O show traduz a essência do som de Bonobo, caracterizado por uma mistura de colagens sonoras com roupagem eletrônica, com instrumentos acústicos e sintetizadores dando o tom. No centro do palco, Green assume a posição de um maestro que guia uma banda afiadíssima (ora nos synths, ora no baixo) ao lado da cantora Szjerdene, que é fofa e carismática e faz os vocais em faixas como "Towers" (do disco The North Borders, de 2013) e "No Reason" (esta última de ˜Migration˜, na qual Nick Murphy canta originalmente).

Menos atmosférica do que os discos, a apresentação segue a linha downtempo de Bonobo ao alternar momentos introspectivos com dançantes. A faixa ˜Bambro Koyo Ganda˜, uma das melhores do último disco, que conta com a participação da banda marroquina Innov Gnawa e que vem logo no começo do show, é momento catártico que levanta toda a plateia. Outro ponto alto é ˜Kerala˜, hit nato cujo vídeo tem mais de 6 milhões de visualizações no YouTube e aparece ao vivo em uma versão mais lenta, porém  ainda intensa. Se os fãs mais puritanos saíram do show sentindo falta de certo improviso, principalmente nas faixas instrumentais e mais orgânicas, a maior parte voltou para casa satisfeita pela escolha do artista em fazer um show linear e sem erros. Afinal, maturidade tem dessas, não é mesmo?

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