Daniel Wierman lança novo episódio de "Corpo de Baile"

 Fotos: Felipe Gabriel

Fotos: Felipe Gabriel

O paulista Daniel Wierman é frequentador - de longa data - das melhores festas de SP e RJ. A paixão pelo universo da música eletrônica se revelou ainda na adolescência em Jundiaí. Ele nos conta que sempre acompanhava a coluna Noite Ilustrada (da Erika Palomino), organizava van pra ir pros clubs de São Paulo e pras raves como Avonts e XXXperience. Mas foi na festa Colors suas primeiras experiências pois o DJs residentes - os irmãos e DJs Wander A e Wagner J - também são de Jundiaí. 

Ele uniu sua paixão pela música à experiência em pesquisa, coordenação e produção de elenco o impulsionou para a direção de vídeos para os núcleos de festas, DJs e promotores espalhados pelo Brasil. E com o lançamento do segundo episódio da série "Corpo de Baile", tivemos a oportunidade de conversar em uma de suas passagens por SP.

Começando do começo: como você começou a fazer vídeos?
Comecei bem jovem, em Jundiaí, nasci lá. Sou cria de estúdio, minha mãe é produtora e cinéfila. Desde moleque sempre me envolvia com ela nos projetos audiovisuais, aprendi muito. Aos 16 anos já trabalhava nos videos de campanha eleitoral e comercial de concessionária de carro. Tem mais de 15 anos que trabalho com video, tv e cinema em diferentes funções. Os videos mais autorais e projetos como diretor começaram a partir de 2010.

Qual o conceito criativo do Corpo de Baile?
O Corpo de Baile é formado por pilulas documentais. O projeto quer estar perto, conversar e conhecer mais as pessoas que fazem todo o universo da música eletrônica acontecer e girar. Todo mundo que é apaixonado pela cena de música eletrônica é antes de qualquer coisa, um dançarino. É gente de pista. Qualquer pessoa que contribua pra magia acontecer na pista interessa pro Corpo de Baile.

Corpo de Baile com Fractal Mood (ep 1)

O primeiro episódio foi com o Fractal Mood e esse novo vídeo com Eli Iwasa. Podemos dizer que é uma série? Quais serão os próximos convidados?
Sim, é uma série. Mas sem a necessidade de uma periodicidade definida. O primeiro episódio, com o Fractal Mood, é um recorte de um momento da cena onde a ocupação das ruas do centro e a união de forças dos coletivos independentes começou a gerar ações como o churrasco para moradores de rua, por exemplo. Tem diversos outros videos muito legais feito por bastante gente que registra esse momento de São Paulo também. O projeto Corpo de Baile é longo prazo. Com o tempo, teremos uma rede mesmo de videos que vão ajudar a contar e registrar essa viva e potente cena eletrônica do Brasil. A Eli é a própria história do movimento aqui no Brasil, além dela ter sido parte fundamental do Lov.e, club histórico de SP, ela organizou as primeiras raves que tivemos por aqui. O próximo convidado é surpresa, e o video sai no mês que vem já.

Corpo de Baile com Eli Iwasa (ep 2)

Há pouco tempo você dirigiu o seu segundo vídeo para o L_cio, a faixa Forte do álbum Poema. Qual é a sua interação com o artista para definir a história e o visual? 
Esta é a segunda vez que faço um vídeo clipe para Laercio e o engraçado é que o primeiro vídeo que fizemos, Breaking é uma música super calma, com flauta, sem batidas e o vídeo tem essa energia e dessa vez quando Laercio me enviou o álbum Poema e me deu essa liberdade maravilhosa para escolher a música do video. Eu me apaixonei por FORTE e toda a energia urgente da música. Eu estava em Curitiba, participando de um festival de teatro e andando a noite pela rua e lembro de ter ouvido a trilha e o roteiro começou a se formar pensando mesmo em todos os lugares que podemos ocupar e personagens que representamos em uma simples caminhada para ir comprar cigarros no esquina. O single lida com um certo tipo de atmosfera de urgência e nós criamos este enredo onde o personagem principal vive um momento de esconde-esconde de seu desejo, tentando traduzir uma mente turbulenta que poderia inspirar um forte movimento em direção à narrativa que representa a música.O Laercio me deu toda a liberdade pra criar o video e o processo foi muito legal. Além do Breaking, também tinha feito um vídeo pra festa Capslock com a música do Laercio,  Dog Day, que eu amo. Me sinto super conectado com a música dele. Uma sorte, um presente poder fazer esses projetos com ele.

Hoje a tecnologia abriu possibilidades de criação de vídeos. Quais são as dicas que você pode passar para quem está começando?
Simplesmente faça. Com um celular, uma câmera simples, uma VHS, um aplicativo. E se junte com amigos e pessoas que estão a fim de criar também. Por mais autoral que seja o trabalho, o que mais me dá prazer e me realiza no trabalho com videos/cinema é o trabalho em equipe, como cada um colabora e cria junto. A internet é muito maravilhosa nesse sentido e mudou tudo. Eu me lembro de ficar assistindo o AMP MTV e gravar os videoclipes de música eletrônica em VHS para poder ficar assistindo depois com meus amigos. Hoje em dia a gente pode ter o próprio canal de conteúdo e fazer transmissões ao vivo pelo celular. Mas a essência é a mesma, fale do que você ama, do que te move. Bota pra gravar.