Depeche Mode em São Paulo, este dia finalmente chegou!

Por Rodrigo Cury

Teclados envolventes de Martin L. Gore marcam única apresentação no Brasil

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O dia em que você acorda para ir ao show do Depeche Mode é um misto de sensações que envolvem empolgação, adrenalina e suspense. Foi assim que minha última terça-feira começou. A empolgação já tomava conta semanas antes do show em São Paulo, último da perna latino americana da Global Spirit Tour, e foi aumentando conforme a data se aproximava. Pensava em escutar de perto todos aqueles clássicos que ouvia em casa sozinho, cantando alto. A adrenalina era inevitável, aquele momento finalmente chegou! O suspense foi porque fiz questão de não acompanhar o set list das outras cidades na América do Sul antes da apresentação em São Paulo.

Acompanhei as primeiras datas da turnê na Europa, mas sabia que por aqui seria diferente, afinal fazia 24 anos que o Depeche Mode não se apresentava no Brasil. Com a confirmação da vinda da turnê para São Paulo, em abril do ano passado, a banda deu uma entrevista dizendo que uma atenção especial seria dada aos fãs brasileiros. De cara já deu para entender que Dave Gahan, vocalista da banda e autor desta entrevista falava em tocar as principais músicas do Depeche Mode.

Antes de começar a contar a minha experiência no show, acho importante falar um pouco da história do Depeche Mode. A banda começou em 1980 na cidade de Basildon, na Inglaterra. Inicialmente com quatro integrantes, sendo Vince Clarke o principal responsável em unir a banda. Vince era amigo de Andrew Fletcher da escola e juntos começaram a tocar sob influência de bandas como Simon & Garfunkel. Martin L. Gore na minha opinião é o cérebro do Depeche Mode, e só foi chamado por Clarke porque era o rapaz recém chegado de Londres que possuía um sintetizador, mesmo que velho e barato. Com Vince, Andrew e Martin nas guitarras, teclados e sintetizadores, faltava alguma voz para dar mais vida a banda. Foi aí que Dave Gahan, que já cantava em outros grupos da cidade foi chamado e assim começou o Depeche Mode. O nome Depeche Mode vem de uma revista francesa de moda.

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Momentos antes do show, uma chuva torrencial caía nas imediações do Allianz Parque, local da apresentação em São Paulo. O paulistano artista da Kompakt Gui Boratto abriu a noite com cerca de 40 minutos de set, mesclando músicas de sua autoria com faixas que costuma lançar como produtor musical. Logo depois, por volta das 22h entra o Depeche Mode com a introdução de "Going Backwards", faixa que abriu todos os shows da turnê e 1ª do álbum Spirit, de 2017.

Na segunda música a primeira surpresa! "It’s no Good" é uma faixa clássica, mas que não esperaria neste show, por existirem tantas outras para tocarem em apenas 1h30 de apresentação, sendo que teriam que mesclar com algumas do novo álbum também.

Muitos foram os bons momentos que o Depeche Mode transmitia através das músicas. É normal dizer que faltou "Just Can’t Get Enough" ou "Policy of Truth", mas por outro lado tocaram "Everything Counts", minha preferida! A melodia de encerramento dos teclados de Martin L. Gore no final desta faixa é de chorar de tão bonita.

Claro que um dos principais momentos deste e de todos os últimos shows do Depeche Mode (assisti também a dois da turnê Delta Machine, nas cidades de Londres e Colônia, em 2013) é quando Martin L. Gore fica no palco para sua parte solo. É aquele momento em que acendíamos o isqueiro antigamente e que hoje ligamos o celular para iluminar no alto. Neste show a faixa "Insight" com aquela ternura de vocal emocionou as 25 mil pessoas presentes.

Outra música que confesso que não esperava foi "World in my Eyes", muito dançante e envolvente. Como já era esperado, "Enjoy the Silence" extremeceu o estádio de tanta emoção. "Never Let Me Down Again" fechou a primeira parte, antes da banda retornar ao palco para mais algumas músicas em forma de agradecimento.

Depois da breve parada, a banda retornou ao palco com "Strangelove", outra que não poderia faltar. Só que desta vez foi tocada em versão acústica nos teclados e voz por Martin L. Gore. Depois vieram "Walking in my Shoes" e "Question of Time", com Dave Gahan girando para todos os lados e emocionando a todos os presentes, até encerrar de vez com "Personal Jesus".

Um show sem dúvida inesquecível, daqueles que nos faz sentir leve e feliz. Vou recordar deste dia todas as vezes em que escutar as faixas tocadas nesta noite.

Agora é esperar pelo próximo álbum e torcer para que São Paulo e o Brasil estejam no calendário da próxima turnê.

Vídeo de Alessandro Kramer Borges