Entrevista: Binaryh

Por Marllon Gauche

A carreira de um produtor musical pode começar de maneiras distintas, seja pela influência do meio que está inserido ou pela simples vontade de produzir música. No caso de Rene e Camila, casal que forma o duo Binaryh, o elemento responsável por dar início a suas carreiras como DJs e produtores foi, inegavelmente, o amor, sentimento este que já perdura por quase 10 anos. A dupla de artistas é mais uma grande demonstração de talento que nossa terra revelou para o mundo e uma prova do crescimento e amadurecimento da cena nacional.

Através de uma sonoridade única e quase que inconfundível, o duo Binaryh emplacou releases em algumas das mais importantes gravadoras de techno dentro e fora do país, como Steyoyoke Black, Nin92wo, Timeless Moment e, mais recentemente, tiveram nova participação na Prisma Techno, desta vez com um EP de faixas originais. ‘Hydra’, música que abre o disco e dá nome ao EP, já vinha sendo tocada inclusive por nomes como Tale of Us e D-Nox. Com todo esse sucesso acontecendo, convidamos o casal para um bate-papo inspirador.

Vocês já vinham costurando uma parceria especial com a Prisma no último ano e agora temos Hydra. O que motivou vocês a lançar com o selo brasileiro após uma série de parcerias com a Steyoyoke?
Não gostamos de ficar presos a nenhuma gravadora e percebemos que isso vinha acontecendo. Nossa ideia na verdade é sempre estar trabalhando com labels que nos identificamos em algum aspecto e percebemos isso na Prisma. O selo desenvolve um trabalho muito legal e sério tendo a música sempre em primeiro plano, foi isso que nos atraiu. A forma como fomos convidados a remixar o Foltz nos fez perceber que era hora de trabalharmos juntos, quando entramos em estúdio para fazer algo para o selo a música fluiu naturalmente, sem dúvida existe uma energia muito positiva ali.

Qual exatamente foi a história que vocês buscaram contar através deste EP?
Tentamos arriscar coisas diferentes para este EP. As duas músicas são bem diferentes e uma tem uma versão “intro” pra quem quiser começar seus sets com uma pegada diferente. Nós apenas entramos em estúdio e criamos, colocamos nas músicas o que ela pede, a música seguia sozinha, nós só acompanhamos. O EP Hydra mostra que estamos em um momento de transição onde o Binaryh apenas flui em forma de música, sem buscar uma sonoridade parecida com algo. Estamos apenas criando sem pensar em estilos e temos a sensação de que já definimos uma sonoridade particular.

Antes das sessões no estúdio chega a acontecer uma espécie de briefing entre vocês dois ou as ideias surgem mais naturalmente?
Temos conversas sobre músicas diariamente, porque escutamos muita coisa e nem tudo é eletrônico. Mostramos um pro outro e conversamos sobre qual rumo gostaríamos de tomar naquele momento. As músicas do Binaryh de 2017 não tem muito a ver com as de 2019, mas é claro que ouvindo atentamente dá pra perceber que é do mesmo artista. Buscamos sempre nos reinventar no estúdio sem seguir a ‘moda’, na verdade procuramos andar um pouco na contramão do que está acontecendo.

Sabemos que vocês se apresentam no formato de live e também como DJ set. Em qual desses dois cenários vocês se sentem mais conectados com o público?
Gostamos muito dos dois formatos e temos ideologias diferentes para eles. No DJ Set gostamos de mostrar nossas influências e muitas vezes tocamos músicas de 15 anos atrás. Na última gig no D.EDGE tocamos “New time New Place” do Mauro Picotto e foi o ápice do nosso set. Também gostamos de testar músicas novas em nossos DJ sets pra ver a reação da pista. Mas o live é nosso xodó, porque não temos aquela música que funciona, sempre tocamos músicas que não existem e outras que as pessoas já conhecem, porém tudo saiu de nós. É incrível ver a pista fervendo durante duas horas apenas com músicas nossas em versões criadas na hora. Na verdade não dá pra explicar a sensação.

Falar sobre sintonia com um casal pode soar até um pouco clichê, mas necessário nesse caso. Na pista e no estúdio, como vocês buscam se conectar de uma maneira mais profunda?
A ideia é dividir tudo. O Binaryh funciona como uma máquina que precisa de duas pessoas para operar, nada funciona sozinho. Nós dois sempre precisamos estar conectados em todas as tarefas, no palco nos emocionamos juntos e em diversas apresentações nós tivemos momentos surpreendentes onde olhamos um pro outro e sorrimos. Quando terminamos uma apresentação sempre nos abraçamos, fizemos tudo a flor da pele, é algo que não vamos perder nunca.

Para fechar! Quais são as principais novidades de 2019 que já podem ser contadas pra gente?
Esse ano já começou muito especial pra gente porque além do nosso EP de estreia pela Prisma nós teremos várias outras estreias em termos de produção. Logo mais teremos nosso primeiro EP pela Timeless Moment, onde vamos lançar uma das músicas mais pedidas pelas pessoas que acompanham nosso trabalho, que é a “Scio”. Também lançaremos um EP pela D.EDGE Records com duas faixas com sonoridades bem diferentes, pensadas exclusivamente para o selo. Em abril teremos nossa primeira música lançada pela Sprout, selo do D-Nox, em uma compilação com vários artistas maravilhosos. Além disso, estamos ansiosos para tocar pela primeira vez em cima do trio elétrico do D.RRETE e também no festival Soulvision neste Carnaval. Esse primeiro semestre já está sendo de muito trabalho pro Binaryh e estamos super animados!