Entrevista: Drunky Daniels lança seu primeiro álbum

por Marllon Gauche

Quando a notícia é boa, não dá pra enrolar: está chegando em breve o primeiro álbum do Drunky Daniels! Há quase uma década na estrada e com mais de 100 releases digitais, o duo brasileiro Drunky Daniels dá um passo importante anunciando "Zabumba". Com data de lançamento marcada para o próximo mês, dia 9 de julho, o trabalho  terá 13 faixas no total, com colaborações de FNX Omar, do Marrocos, K.O.D. e MsizKay, do Zimbabwe, e outra com o brasileiro Fran Bortolossi.

Mas enquanto “Zabumba” não chega oficialmente, nós resolvemos trocar uma ideia para saber mais sobre o trabalho incrível que Grazi Largura e Vini Ferreira vem realizando ultimamente, já que além dessa novidade, ainda tem muito mais para vir nos próximos meses. Na entrevista, perguntamos sobre o processo de construção do disco e outros pontos importantes que envolvem o desenvolvimento artístico da dupla. O resultado você confere abaixo!

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Olá, Grazi e Vini, é um prazer falar com vocês! O momento profissional atualmente parece incrível, não é mesmo? Várias gigs, lançamentos agendados, um feedback sempre positivo do público… como está sendo viver tudo isso?
Olá, o prazer é nosso! :) O momento está muito criativo e com bastante trabalho. Estamos há uns 10 meses imersos em descobrir novas sonoridades e explorando cada vez mais nossas habilidades na discotecagem e na produção musical. Fizemos muita música nos últimos 6 meses, e com a visibilidade de nossos últimos EPs, conseguimos atingir gravadoras que almejávamos e fazer parcerias com diversos artistas. Temos bastante releases legais para os próximos 12 meses. Estamos empolgados!

Dividir o trabalho artístico como dupla torna as coisas mais “fáceis” ou não necessariamente? O que é fundamental para os projetos não saírem dos trilhos?
São duas cabeças pensantes e sempre rolam ideias divergentes, é normal e faz parte do processo. O ideal sempre é ter em mente o objetivo de forma clara: onde se quer chegar, que público atingir, o conceito que deve passar, e aí meter a mão na massa. Isso é fundamental e necessário para a evolução e expressão do projeto.

E como funciona o processo criativo de vocês enquanto dupla? Cada um possui sua própria função ou o trabalho é literalmente a quatro mãos?
Com o passar dos anos e com as necessidades envolvendo o projeto, aprendemos a otimizar o nosso tempo. Tomamos as decisões em conjunto, porém a execução das tarefas são feitas separadamente. Sabendo o objetivo e aproveitando as melhores qualidades de cada um, o processo se torna muito mais agradável e eficaz.

Falando sobre produção, sabemos que em breve seremos presenteados com o primeiro álbum do Drunky Daniels, estamos certos? Já tem data para lançamento? O que podemos esperar na questão sonora do disco?
Sim! Dia 9 de Julho, vai sair nosso primeiro álbum, chamado “Zabumba”. Estamos muito felizes com o resultado e as músicas vão muito bem na pista. Como falamos antes, estamos há um bom tempo mergulhados em produzir e escolher faixas para o álbum, foram feitas mais de 30, selecionamos 13. Tem uma estética bem Afro House, House Music e Tech House, misturados com nossa influência e cultura brasileira. Muitos elementos típicos daqui como pandeiro, afoxé e zabumba, dão um swing bem diferente e especial pro trabalho. Esperamos que gostem!

Geralmente um álbum demonstra as melhores qualidades artísticas de seus autores. Vocês enxergam esse lançamento como o trabalho mais rico do Drunky Daniels até aqui?
Certamente. Há alguns anos iríamos lançar um álbum, porém não achávamos uma obra por completo que contasse e expressasse realmente uma história. Ano passado, após lançarmos alguns EPs mais voltados pro Afro House, o que já se assemelha com nossa linha, percussiva e groove, foi natural e totalmente envolvente. Principalmente pelo fato de que queríamos impor nossa cultura brasileira nesse trabalho, o que conversou perfeitamente com o tema proposto e chegamos em um resultado que nos agradou muito.

Imagino que, apesar de cansativo, o processo de construção das faixas deve ter sido muito prazeroso também. Como foi pra vocês durante a rotina de gravação? Quais os principais desafios que surgiram durante o nascimento do álbum?
Na verdade foi tudo muito natural. Início do ano lançamos o EP Rebolado, em janeiro, e atingimos o Top 10 do Afro House do Traxsource e do Beatport, além dos inúmeros suportes, o que realmente nos incentivou muito no processo todo. No verão, passamos boa parte no litoral catarinense tocando, levamos nosso estúdio para Garopaba e várias músicas foram feitas lá, praia sempre nos inspirou muito. O principal desafio foi escolher as faixas [risos] tinha bastante material além das collabs, então essa parte foi bem complicada. Todas as músicas escolhidas são muito especiais.

Este trabalho será lançado pela Seres Produções. Percebemos um relacionamento bem forte entre vocês… o que de mais proveitoso essa aproximação tem rendido?
Tivemos uma conexão imediata com o pessoal da gravadora, principalmente com o DJ Satélite, da Angola, líder da gravadora, que atua nessa área desde os anos 2000 e foi responsável pela expansão do gênero. Mandamos algumas demos em agosto do ano passado e logo em outubro já lançamos nosso primeiro EP, Maxixe, com a faixa “Gamboa” alcançando o Top 20 Afro House no Beatport.

Continuamos conversando e veio o segundo EP, Rebolado, desta vez foi Haze que entrou no Top 10 tanto no Beatport (5) quanto Traxsource (8). O que deixa mais interessante essa amizade é a conexão com países da África e grande parte da Europa, que consomem bastante Afro House e que não conheciam nossas músicas, além de conversar diretamente com o público brasileiro e americano também.

Temos recebido muita música de diversos artistas ao redor do mundo e o mais legal é ver um número crescente de artistas brasileiros nos mandando som nessa pegada, o que é muito satisfatório pra gente, principalmente aliado à nossa cultura que é muito rica e pouco explorada.

Apesar dessa grande novidade, podemos esperar algo novo, além disso, ainda neste ano? Muito obrigado por falar com a gente!
Com certeza! Ainda temos alguns EPs, single e remixes de faixas nossas para serem lançadas em paralelo ao álbum. Primeiramente vamos ter nossa festa de lançamento do álbum em Julho, no Club Vibe em Curitiba, onde sempre tocamos e temos um carinho muito especial. Também um Masterclass nosso junto da AIMEC, tour na Europa e primeira vez na África. Tem bastante coisa legal por vir, fiquem ligados! Muito obrigado pelo papo, até breve.