Evolução define Moog Lovers, novo EP do produtor Tha_guts

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Evolução. Diferentes indústrias são capazes de atribuir essa característica através de medidores distintos. Na economia, os relatórios de especialistas avaliam questões como o PIB ou a bolsa de valores. No esporte, o rendimento nos campeonatos costumam ser bastante precisos para medir quanto uma equipe evoluiu. Mas e na música? Como atribuir evolução para produtores musicais?

A chave da resposta está no catálogo, mas não nos números que plataformas como o Spotify, YouTube e Soundcloud oferecem. A evolução de um artista pode ser medida através de algo bastante subjetivo, mas inabalável: representatividade. Não exatamente aquela, ligada a inclusão (igualmente importante), aqui estamos falando de algo mais pessoal. Direto ao ponto? O quanto o artista se sente representado por sua arte.

Nesse quesito, Tha_guts, alcunha artística de Augusto Pereira, tem traçado uma grande jornada de evolução. De seu debut álbum Plastic Noise ao último EP, Moog Lovers, uma considerável evolução narrativa rumo ao house experimental foi capitaneada por Guto, que sonhou meses e meses com seu release pela GOMA, selo de Porto Alegre que absorveu e trabalhou o release muito bem.

Moog Lovers veio ao mundo com 5 tracks, 3 originais e 2 remixes para a faixa-título — Albin & Norus de um lado, Perrelli em outra frente. O EP ganhou destaque e premiere em alguns dos principais canais da nova geração da web, entre eles OOUKFunkyOO e EELF, além do Electronic Groove de Miami.

Conversando com Guto, é possível entender a importância deste release e quão representado ele se sente pelas 5 faixas. “Moog Lovers acabou fechando um porta na insegurança e abrindo inúmeras janelas em possibilidades artísticas. Encontrar uma linguagem que funcione na pista e que me represente como artista tem sido um ‘fardo’ positivo nesses últimos meses”, comentou o artista.

Ainda sobre sua estética, ele afirma: “Minha aproximação com um house em uma linguagem mais ácida e lo-fi mostrou que meu trabalho e processo pode e deve ser constantemente provocado”, sem esquecer de comentar sobre os remixes e o selo que assinou o EP. “Os remixes somaram incrivelmente bem e deram diferentes oportunidades para a original mix brilhar em outros espaços. No âmbito da obra, preencheu muito bem essa minha aproximação com um selo independente tal como a Goma, que teve todo um cuidado especial no processo e apresentou ele ao mundo maravilhosamente”, finalizou.

O fato do release ter sido lançado por um selo independente possibilitou que artista e gravadora trabalhassem de forma mais ampla, colaborativa e livre na divulgação do release, que não é exatamente um campeão de plays nas plataformas (talvez nem pretende ser), mas é sim um sucesso de audiência nessas primeiras semanas pós-lançamento.