Gui Boratto comenta faixa a faixa do seu novo álbum "Pentagram"

 

Já se passaram 10 anos desde o lançamento do álbum de 'Chromophobia'. Como o título sugere, o álbum trouxe contraste de melodias e grooves minimalistas e o hit “Beautiful Life”, que se tornou um hino nas pistas.

Prestes a lançar seu quinto LP, 'Pentagram' (com pré venda aqui), Gui Boratto apresenta as 12 faixas do seu novo álbum para o deepbeep.

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1 - The Walker
Essa faixa tem muito de "Elemental" música do Tears For Fears que eu adoro. Eles são minha banda favorita dos anos 80.

2 - The Black Bookshelf 
A ideia por trás dessa música foi algo que um teste pra mim mesmo: eu estava testando como ficaria tocar o piano com 1 mic apenas. A ideia era gravar o piano e, ao mesmo tempo, a bateria, tudo tocado por mim. Eu não posso me considerar baterista, mas me surpreendi positivamente com o resultado e resolvi trabalhar com o que tinha conseguido.

3 - Overload
Mais uma música gravada com a Luciana Villanova, minha esposa, que fez os vocais de "No Turning Back" e "Beautiful Life", entre outros. Não é fácil, mas sempre é interessante quando trabalhamos juntos num vocal - adoro toda a experiência que isso traz. Nesse caso, a bateria foi gravada separadamente, usando um mic U-87.

4/5 - Forgotten/Forgive Me
Essas duas músicas foram originalmente criadas para serem uma só: uma extensa música. Mas no meio do processo, tudo mudou (rs!). Isso porque eu estava indo em duas direções muito diferentes: ora buscava o “indie techno” das minhas músicas, como "It's Malik" ou "Like You", ora pendia para um lado mais techno. Foi então que decidi separá-las em duas faixas gêmeas. Mas quando faço o LIVE, toco as duas juntas.

6 - Scene 2
Mais ou menos um ano atrás, eu estava buscando referências na minha coleção de CDs e backups de faixas não terminadas, quando encontrei alguns arranjos de cordas feitos em 1996, 1997. Nessa época eu trabalhava como engenheiro e técnico de som e foi engraçado lembrar dessa história. A gravadora na qual trabalhava costumava contratar sempre um quinteto de cordas. Normalmente o período de gravação é de 6 horas, mas os caras eram tão profissionais que costumavam gravar uma música em 1 ou 2 takes. Então nós tínhamos 5 horas de sobra e eu aproveitava para testar a gravação de algumas ideias minhas, esperando poder utilizá-las futuramente.
Nesse caso, o que eu esperava se realizou mesmo: estes arranjos foram gravados há mais ou menos 20 anos. Utilizei-as em 2018.

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7 - Alcazar
Decidi colocar este nome por conta do break principal. Por alguma razão ele me lembra uma visita que fiz ao Alcazar de Sevilha, na Espanha. O riff de Moog soa um pouco como uma das típicas guitarras espanholas.

8 - The Phoenix
Inicialmente, esta música era pra ser instrumental. Mas aí eu lembrei de um amigo inglês que compõe e canta muito - o Nathan Berger. Ele amou a música e compôs a letra junto comigo. Eu simplesmente AMO como a voz dele somou à canção. Estou no momento preparando uma versão mais acústica inclusive :-)

9 - Hallucination
Faz tempo que eu sigo o Brian Transeau, mais conhecido como B.T. Ele é um super produtor, com indicações ao Grammy. Já produziu muita gente de peso, como Sasha, Paul Van Dyk, além de escrever algumas músicas pro N’Sync, Peter Gabriel, Sting entre outros. Adoro especialmente o álbum "Movement in Still Life": meu favorito. Ele veio me procurar depois do lançamento de "Chromophobia" para uma possível colaboração, mas eu estava começando a encarar grandes turnês e o ritmo mudou. Foi só agora que uma criação conjunta finalmente se materializou. Eu chamei ele no Instagram há alguns meses e uma coisa levou à outra. Ele ficou com toda a parte de vocais e edits, que são sua marca registrada. Depois, adicionou alguns synths extra. Fiquei muito feliz com o resultado!

10 - Spur
Provavelmente o primeiro som que eu fiz para 'Pentagram'. Eu venho tocado "Spur" já faz um tempo: ela é programada, construída e toda produzida usando apenas máquinas. Quando digo máquinas, me refiro às baterias eletrônicas e sintetizadores reais, não virtuais. Considero uma faixa bem purista, com 808 e 909, linhas de synths do SH-09 e dos antológicos  MKS-50 e 80. Bem, bem oldschool.

11 - Pentagram
Este foi mais um exercício que eu fiz, dessa vez com o meu Buchla Modular. Foi divertido, acho que usei mais de 30 caixas diferentes, com reverbs e delays. A música toda está “viva”.

12 - 618
Criei essa música usando apenas 1 longa linha melódica de synth, como um prelúdio, onde a mesma vai se desenrolando sem ter partes muito bem definidas, como verso, refrão etc.. Ela praticamente não tem batidas. Quando estava trabalhando na arte da capa e estudando as proporções do pentagrama, o número 6,18 da proporção áurea me perseguia. E, adivinha: essa faixa tem exatamente 6’18”. Coincidência?

Para a pré-compra acesse: https://kompakt.fm/releases/pentagram_cd