Madonna 60 anos

Por Luciana Lopes Ramos

Do not age. Esse foi o conselho que Madonna nos deu no discurso memorável em 2016, quando recebeu o prêmio de mulher daquele ano.

Pensar que há 36 anos o mundo não estava preparado para a igualdade de direitos das mulheres e gays e que, ainda hoje, lutamos pelos mesmos direitos de ter e ser quem somos, nos dá mais motivos para celebrar seus 60 anos hoje. Ela se tornou um ícone. Hoje um ícone de resistência.

No meio desses desafios, ela soube como ninguém aproveitar as oportunidades. Tendo a sorte de estar em nova iorque no início dos anos 80, sendo cercada por artistas talentosos, como Basquiat e Keith Haring, que levaram a arte das galerias para a rua.

Esse momento foi primordial para moldar a artista que conhecemos hoje. Vivendo no underground nova iorquino, ela aprendeu a transformar suas influências em algo totalmente novo e acessível ao mundo pop. A partir daí é que o mundo começou a conhecer e se influenciar por tudo o que ela fazia. Começando pelas as roupas, com o surgimento das wannabes mundo afora e que acabaram influenciando também as atitudes das adolescentes.

Das adolescentes para os gays foi um pulo. Em 90, Madonna levou a febre da coreografia de Vogue das boates de NY para as rádios. Suas inspirações foram evoluindo a cada novo álbum. Em 92, com o álbum "Erotica", Madonna levou o hip hop de rua pro mundo pop, usou e abusou de samples do jazz de Herbie Hancock para o mundo pop. "Bedtime Stories", de 94, foi marcado também pelo hip hop e pelo rhythm & blues. Mas também surgia uma nova influência no pop: a trance music que apesar de bastante difundida, ainda era limitada ao mundo underground/alternativo.

Seu amadurecimento como artista e como mulher foi acompanhado a cada novo trabalho. Sua busca por novas influências já não se concentravam somente em nova Iorque. Em 98, surge Ray of Light. Um álbum em parceria com o músico e DJ inglês William Orbit. Mesmo sendo uma fase mais introspectiva, a pista não pode parar. Sonoridade com muito eletrônico, trance e rock misturado ao hinduísmo.

Mais uma vez, Madonna influenciou o mundo pop. William Orbit foi convidado por outros tantos artistas para produzir seus álbuns. Todos a seguiam, tanto ela como cada novo artista que ela revelava.

Em 2000 era a hora de mudar novamente. Misturando country e folk com o eletrônico, ela buscou uma nova influência com o produtor franco afegão Mirwais para o álbum "Music".

2003 foi a vez de American Life. Sob forte influência de questões politicas, não teve o sucesso esperado. Madonna sentiu isso e resolveu voltar as pistas em 2005 com "Confessions on a Dance Floor". Buscou Stuart Price para produzir um álbum totalmente disco. Não trazia nada de revolucionário, ainda assim Confessions foi um grande sucesso.

Apesar de 2008 pra cá sua influência na musica não ser tão relevante como antes, é inegável sua influência na moda e  comportamento. Todo novo trabalho é esperado. Seja na musica, na fotografia,no cinema, na moda ou em seus discurso tão contudentes. Madonna deu projeção a varios artistas do mundo alternativo. Levou à grande popularidade artistas, DJ´s e produtores como Timbaland, Tracy Young, Oakenfold, Peter Rauhofer, Felix da Housecat, Victor Calderone, Deep Dish, Dirty Vegas...a lista e enorme.

Ao completar 60 anos, os desafios da Madonna de hoje são ainda maiores. A luta se mantém não só pelos desafios quanto à liberdade de expressão ou por ser mulher. Ela tem que mostrar ao mundo que envelhecer também é uma revolução. Do not age. Acima de tudo, Madonna é resistência.

Vida longa a Rainha.

Madonna- Videography