PETRI é um dos nomes por trás do Laguna Music

Por Marllon Gauche

Se nos últimos anos a cena de Curitiba tem ganhado uma representatividade na música eletrônica cada vez maior, parte dessa conquista tem a assinatura registrada de um importante nome: Alberto Natan Petri. Ao lado de Rodrigo Bado, ele foi um dos fundadores do que hoje é um dos maiores selos do sul do Brasil, o Laguna Music. Suas atividades iniciaram como festas itinerantes, criando uma nova experiência para ser compartilhada com o público do estado de Curitiba, mas hoje a influência exercida na cena eletrônica já ganhou proporções bem maiores.

Em poucos anos, a marca cresceu e expandiu seu nome para além das fronteiras paranaenses, se apresentando também como um espaço para lançamentos de novos artistas no mercado através da Laguna Records. Com uma base de fãs e admiradores do trabalho bem forte, o Laguna vem se reenergizando dia após dia e mostrando que ainda pode fazer muito pela cena. Neste fim de semana, ela traz o argentino Rodrigo DP para a sua primeira tour no Brasil, que passará pelo Inky Social Club, em Curitiba, e pelo Mobil Club, em Londrina. Aproveitamos o momento e conversamos com PETRI, que nos contou em detalhes sua relação com o Laguna e como tudo começou. Leia na íntegra.

PETRI 2.jpg

Poderia nos contar sobre o início da sua carreira? Por que e como você decidiu ser DJ? Qual o fator principal que lhe atraiu para iniciar nessa jornada?
Tudo começou lá em 2012 quando era um amante e aficionado frequentador das festa. A paixão surgiu lá trás, quando eram poucos os DJs e os chamados ‘amantes da e-music’. Decidi embarcar em um curso de DJ da Aimec, que na época ainda formava poucos alunos por mês. Assim que terminei o curso, pensei: ‘E agora? Como faço para tocar?’ Deve ser a pergunta de muitos por aí. Quando recebi o milionésimo não, decidi que tinha chegado o momento de fazer minhas festas e lançar minhas próprias músicas. Foi assim que surgiu a Laguna Music e a Laguna Records, hoje me permitindo crescer como artista e levando nossa música para quase todo o Brasil.

Você é um artista de origem Italiana que já possui uma longa conexão com a música eletrônica, certo? De alguma forma você consegue aplicar as influências de lá em suas criações?
Minha conexão vem desde que eu era criança. Lá na Itália, em 1998, as crianças escutavam dance music, um house comercial da época, e sim, sem dúvida tenho muitas influências de vários artistas que são de lá, inclusive agora com a Record Label consigo trocar bastante figurinhas com bons produtores Italianos, inclusive já lançamos diversos EPs e remixes de artistas de lá.

O tech house é um estilo que tem se popularizado bastante no Brasil e no mundo nos últimos anos. Como você busca fazer seu som soar autêntico para se diferenciar de tudo o que está sendo difundido neste momento?
Bom, isso pra mim sempre foi um problema. Comecei tocando de tudo, deste house, g- house, techno, mas sempre teve um pouco de tech house no meio. Com o surgimento da Laguna vimos a necessidade de sedimentar a label, e com a chegada dos outros residentes isso foi um processo natural. Quando já estávamos tocando juntos há uns 2 anos, o som que eu tocava não me identificava mais, mesmo sendo tech house, gênero que eu amo. Foi assim que comecei a pesquisar mais uma linha de tech house, com pegadas minimalistas e de house romeno, mas sem aquela massividade do minimal propriamente dito, tentando sempre manter o "groove" do estilo. Vi que muitos artistas na europa estavam indo nesta linha, então minha escolha começou a fazer sentido pra mim e hoje não consigo mais sair do "tech house minimalista". Creio que assim criei uma identidade diferenciada, fazendo meu som soar autêntico.

Você pretende trabalhar em novos lançamentos ainda em 2019? Qual seu foco principal para o momento?
Meu foco principal são dois lançamentos que estou trabalhando no momento, um como estreia na Laguna Records e o outro ainda não sem uma label, mas todos seguindo a pegada minimal/tech house.

Você é um dos fundadores do Laguna ao lado do Rafael Bado. Essa vontade de projetar a música eletrônica para novas pessoas e lugares é um dos motivos do surgimento do label?
Nosso principal motivo era levar o estilo de festa e de som para todo o Brasil, mostrar que também poderíamos tomar um espaço do mercado e nos firmar como label party e como gravadora também. O mercado da música eletrônica brasileiro é competitivo e saber que depois de quase cinco anos continuamos aqui, com a mesma garra e vontade, nos alegra muito

Quais os principais desafios que vocês enfrentam para expandir os horizontes da marca por aqui? Nossos próximos desafios dizem respeito a Laguna Records, que em pouco tempo já nos deu algumas alegrias. Também queremos levar a label party em mais cidades, como aconteceu este ano em Ponta Grossa, Bombinhas e agora em Londrina.

Você irá fazer o closing set da próxima festa da Laguna que terá Rodrigo DP como headliner, artista trazido por vocês no ano passado para o EOL Festival. Qual expectativa para essa nova gig ao lado do argentino?
Expectativas a mil, o tempo é escasso para preparar tudo, recepcionar o Rodrigo, preparar dois sets, um de closing para Curitiba e um de Warm up para Londrina… A semana está a milhão, mas vai ser incrível, a expectativa do evento são as melhores possíveis.