Para quem gosta de: Elza Soares

Os clássicos você já conhece, mas que tal ser apresentado a novos nomes da nossa música? Mensalmente, a coluna "para quem gosta de" recomenda três artistas nacionais com base em um grande nome da MPB.

Por Cleber Facchi (Miojo Indie)

Três anos após o lançamento do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015), primeiro álbum de inéditas em mais de 60 anos de carreira, Elza Soares está de volta com um novo trabalho de estúdio. Em Deus É Mulher (2018), a cantora carioca repete a parceria com o produtor Guilherme Kastrup e os músicos Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos, revelando ao público uma obra guiada em essência pela poesia política, debates acalentados sobre a hipocrisia religiosa, além, claro, de temas como empoderamento feminino, sexo e a força da mulher brasileira. Aproveitando a chegada do álbum, 33º registro de estúdio na carreira de Soares, inauguramos a coluna Para Quem Gosta De listando três cantoras que vem se aventurando na composição de versos autorais e provocativos, capazes de dialogar com a mesma poesia política da veterana. 


Xenia França
Gênero: R&B / Jazz / Afropop

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Mais conhecida pelo trabalho como integrante do coletivo paulistano Aláfia, a baiana radicada em São Paulo lançou em setembro do último ano o primeiro álbum de inéditas em carreira solo: Xenia (2017). Marcados pela forte religiosidade, flertes com o jazz e diálogos com a cultura Iorubá, o trabalho de 13 faixas faz de cada composição um objeto de destaque. São músicas como a provocativa Pra Que Me Chamas?, um profundo debate sobre apropriação cultural; a necessária versão para Respeitem Meus Cabelos, Brancos, música originalmente composta pelo paraibano Chico César, além de faixas como Garganta, completa pela presença da poetisa Roberta Estrela D’Alva. Uma colorida mistura de ritmos e versos que se reflete durante toda a execução da obra.


Luedji Luna
Gênero: Soul / MPB / Afrobeat

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Nascida no bairro do Cabula, em Salvador, Luedji Gomes Santa Rita, ou simplesmente Luedji Luna, sempre manteve um forte diálogo com os elementos da cultura africana. Parte dessa forte relação se reflete em cada uma das 11 faixas do primeiro álbum de estúdio da cantora e compositora baiana, o delicado Um Corpo no Mundo. Inspirado pela mudança da artista para a cidade de São Paulo, o registro brinca com a sobreposição de ritmos e elementos vindos de diferentes campos da música negra. São faixas como Dentro Ali, Eu Sou uma Árvore Bonita e a própria faixa-título em que a voz forte da cantora se espalha com leveza. Para o trabalho, Luedji contou com a presença do cubano Aniel Someillan (baixo), o sueco Sebastian Notini (arranjo), o soteropolitano Rudson Daniel (percussão); o filho de congoleses François Muleka (violão) e o queniano Kato Change (guitarra). 


Larissa Luz
Gênero: Hip-Hop / Rock / MPB

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A mistura de ritmos e força detalhada nos versos parece ser a base do som produzido pela cantora, compositora e atriz baiana Larissa Luz. Com dois álbuns de inéditas em mãos – Mudança (2012) e Território Conquistado (2016) –, a artista que já colaborou com Elza Soares no último trabalho de estúdio reflete sobre diferentes aspectos da nossa sociedade, a fé, o preconceito e as conquistas das mulheres negras de forma sempre provocativa, atual. São versos trabalhados em uma estrutura grandiosa, com um pé nas pistas de dança, outro, no parcial isolamento recolhimento da artista. O resultado está na produção de uma obra marcada pela diversidade, cuidado que se reflete em músicas como Bonecas Pretas e, principalmente, Descolonizada, uma das composições mais conhecidas de Luz.