Percepção Sonora: A Importância do Fator Acústico na Nossa Audição (Parte I)

Por Audiomancer

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Me lembrei, esta semana, de uma apresentação inicial feita pelos profissionais da Faital, empresa italiana de falantes no laboratório onde estávamos, para um projeto em que desenvolveríamos caixas acústicas Hi-End e Subs, em um dia em que infelizmente não foi possível usar uma sala adequada em termos acústicos. Ainda falaremos bastante a respeito deste tema. 

Ficamos decepcionados com as audições, apesar da qualidade dos falantes, uma vez que o nosso lab não tinha tratamento, e a interferência acústica na Resposta de Frequência final (você ainda ouvirá o termo muitas vezes) foi bem prejudicial em relação ao que aconteceria em uma sala tratada acusticamente. Considerando que estes modelos loudspeakers foram criados com o intuito de trazer qualidade sonora no espectro da nossa banda audível (de 20Hz a 20KHz), ou seja, mais homogênea ou flat possível, percebemos que o fator acústico tinha uma importância tremenda no resultado final. Desde as caixas acústicas, presença ou não de dutos, material utilizado, até as salas onde as músicas são reproduzidas. Traduzindo em miúdos, para quem se preocupa com qualidade em áudio, o ideal é que tanto os equipamentos quanto as salas não prejudiquem a Resposta de Frequência original da música tocada neles, portanto sem interferências grosseiras de amplitudes, tempos de queda de cada frequência e harmônicos. 

Isso não significa que não possa haver alteração destas respostas ou timbragens agradáveis para a nossa audição. Muitos equipamentos as têm propositalmente, e fazem muito sucesso.
Isto porque algumas destas empresas dominaram tecnologias que permitem alterar Respostas de Frequência com resultados maravilhosos, por exemplo, através do uso de válvulas, capacitores, e transformadores específicos (só para citar alguns fatores) que entre outros, deixam o resultado sonoro mais agradável, com adições de harmônicos pares no espectro musical tocado, distorções ou compressões prazeirosas no som, etc.  

Porém, como dissemos, na primeira audição feita no laboratório, o fator acústico daquela sala sem tratamento não ajudou, e o resultado foi bem distante do desejado - não por culpa dos falantes, mas da sala. Por isso, o local onde se ouve o som das caixas é tão importante.   

Cerca de dez meses após, após concluído o desenvolvimento das nossas caixas acústicas Hi-End (incluindo três belíssimos Subs) pela equipe do Prof. Engenheiro Homero Sette, estávamos prontos para a apresentação no auditório oficial do IAV, que por sinal, era incrivelmente bem tratado acusticamente.

O resultado foi uma audição inesquecível de obras muito bem produzidas e mixadas de diferentes gêneros, escolhidas a dedo para convidados especiais: 'Aftermath' da Fatima Al Qadiri, 'Them Changes' (Thundercat), 'Body Close' (Synkro), 'Money' (Pink Floyd), 'Billie Jean' (Michael Jackson), 'Tripartite Pact' (Helena Hauff), entre outras majestosamente mixadas e produzidas obras. Saímos extasiados, cientes de que a excelência sonora não pode ser conquistada sem um ambiente acústico favorável; além disso, depende de uma somatória de fatores -- do elétrico ao mecânico, acústico, e... neurológico. Mas isso fica para uma próxima conversa.

Omnia Vincit Ars.

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