Audio Engineering Society: Impressões Sonoras

Por Audiomancer

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Resolvi, nesta edição, trazer algumas das experiências vividas na edição de 2018 da AES (Audio Engineering Society) que aconteceu em São Paulo semanas atrás, após um hiato de dois anos. Quem trabalha com áudio ficou muito feliz com o retorno do evento, já que este é e sempre foi a referência máxima em tecnologia de áudio internacionalmente. Para músicos, DJs, produtores, remixers, editores, operadores de mesa, fonoaudiólogos, sound designers e engenheiros acústicos, a presença em um evento como a AES é sempre essencial. 

A convenção da AES deste ano abrangeu um treinamento intensivo de dois dias da Meyer Sound e suas novas ferramentas para profissionais de live P.A. e Sound Design, além de palestras de elevado nível técnico em diferentes áreas do áudio. Entre elas, o Efeito Doppler em Altos Falantes, apresentado por Francisco Monteiro; Criando um espaço 3D na Mixagem, com o Eng. de Mixagem Beto Neves, consultor da Sennheiser; Orchestral Recording & Film Scoring com Clement Zular; A Importância dos Filtros com Singularidades Reais, com os mestres Homero Sette e Sidnei Noceti; e com a Dra. Katya Freire (Audicare) e o Eng. de Masterização Carlos Freitas, “prevenção auditiva como grande aliado para uma longa carreira de engenharia de áudio”.

Na palestra de Film Scoring, Clement falou sobre a importante participação da Orquestra de Heliópolis, cujas belíssimas apresentações já cheguei a presenciar na Sala São Paulo. Citou a Dolby Atmos, sistema desenvolvido pela Dolby que permite sensação de imersão sonora tridimensional, resultado de uma adaptação ao número de falantes usados no ambiente. 

Outra apresentação que debateu imersão sonora foi a de espaço tridimensional nas mixagens com Beto Neves, em que aconteceu um debate entre especialistas sobre quem proporcionava a melhor sensação sonora de imersão, Dolby Atmos ou a IMAX Sound. As opiniões estavam divididas, e para o leitor tirar suas próprias conclusões, sugerimos o essencial: que assista a filmes nas salas com as duas tecnologias. 

Beto falou bastante sobre as técnicas e princípios para uma boa mixagem em 3D, desde a clareza e distribuição dos canais e instrumentos na perspectiva sonora espacial a fatores como correlação de fase e o uso apropriado de reverbs e ambiências.

A palestra sobre a Importância dos Filtros marcou a despedida de um dos maiores cientistas de áudio da história, Homero Sette, autor de mais de 150 papers científicos, muitos dos quais apresentados nas edições das duas últimas décadas da AES Brasil. Homero entrou para a história ao estabelecer um upgrade para a Teoria de Thiele-Small para alto falantes. Ao iniciar a palestra, recebeu uma placa de reconhecimento pela sua inestimável e insubstituível contribuição ao áudio nos últimos cinquenta anos. Durante a palestra, discorreu sobre as características e propriedades dos diferentes tipos de filtros e suas aplicações ao lado do Prof. Sidnei Noceti (UFSC). Para os que não estão familiarizados, os filtros são absolutamente essenciais em equalização, caixas de som, monitores, crossovers e inúmeras outras aplicações no áudio. 

Entre as novidades e consagrados produtos trazidos pelos participantes da AES Brasil 2018, citamos alguns que tivemos oportunidade de conferir. Infelizmente não pudemos percorrer com profundidade o evento inteiro, mesmo porque, muitas das palestras e apresentações de produtos aconteceram ao mesmo tempo. Portanto, pedimos desculpas ao leitor, e ao mesmo tempo, convidamos para a próxima edição, que acontecerá no ano que vem. 

  Rivage PM-10

Rivage PM-10

Entre as mesas de som mais impressionantes está a Rivage PM-10 de 144 canais da Yamaha, com 108 auxiliares, e uma função Silk desenvolvida por Rupert Neve para obter maravilhosa sonoridade por distorção de transformador com ganho dedicado.

A Sennheiser teve Inúmeros destaques, entre os quais a linha AMBEO para escuta binaural de fones, cujas propriedades relativas ao tempo de chegada do som nos dois lados dos microfones, o nível de SPL e as ressonâncias provocadas pela nossa anatomia são assimiladas pelo sistema HRTFs (Head Related Transfer Function), o que garante a sublime audição tridimensional. 

Entre os fones de ouvido, a Sennheiser disponibilizou os modelos HD-600, HD-660 S (um upgrade do incrível HD-650) e o HD-800. Preparei uma seleção de música de referência em lossless 24Bits 48KHz para audição, e fiquei absolutamente impressionado com a resposta de frequências do Hi-End HD-660 S

Já a Neumann apresentou três modelos dos seus monitores, desenvolvidos pela dupla Klein & Hummel, a mesma que revolucionou o universo dos monitores com projeções singulares e tamanhos de falantes que diminuíram consideravelmente as interferências por ressonâncias internas. Seu sistema de dispersão matemática modelada (MMD) para guias de onda são calculados com enorme nível de precisão. Em seu stand, o Eng. Consultor Beto Neves realizou impressionantes audições destes três modelos da Neumann, entre os quais o KH 80, KH 120 e KH 310, com 4”, 5.25” e 8”+3”+1” respectivamente. O resultado impressionante é que, apesar dos diferentes tamanhos, apresentaram sensações sonoras muito próximas, com excepcionais respostas de frequências, inclusive nas baixas a partir de 52Hz (exceção feita ao KH 310 que alcançou resposta plana a partir de 34Hz). Em um teste às cegas, era praticamente impossível determinar de qual modelo vinha o som.