Alex Justino

Por Alan Medeiros (Alataj)

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Quando um estilo musical está em voga, é natural que aconteça uma espécie de sobrecarga com diversos produtores seguindo tendências e criando um som que de maneira geral soa muito parecido. Para se destacar em um universo como esse, duas características são fundamentais: consistência e inteligência. Nesse ponto, vale destacar o trabalho do artista goiano Alex Justino, um dos destaques do techno made in Brazil.

O ano de 2018 pode ser apontado como um dos mais importantes de sua carreira, que já ultrapassa os 10 anos de existência. No primeiro semestre, Alex partiu para uma tour de 4 datas na China e no último mês de Outubro encarou uma série de compromissos fora do país, com passagens por Índia e Berlim - onde tocou no Sisyphos, um dos principais clubs da cidade. Isso tudo sem falar na sua forte presença nacional, comprovada com gigs regulares nos maiores clubs do país.

A nosso convite, Alex Justino topou atuar totalmente fora da sua linha de conforto para construção de um set especial para a nossa série de podcasts. Neste mix, Justino explora uma pesquisa mais alternativa, conectada ao techno, mas distante do que ele costuma apresentar quando está tocando no formato live ou DJ set. Confira abaixo junto com esse bate-papo exclusivo que tivemos com ele.

Olá, Alex! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Nos últimos dois anos você passou a atuar mais como live do que como DJ. Quais foram as mudanças principais que esse processo trouxe para sua carreira?
Tudo ótimo! Estou bem animado em trocar essa ideia com vocês. O live act marcou uma nova fase na minha vida. As apresentações são totalmente diferentes e a criação também envolve mais a parte artística. A mudança acontece também na parte de produção musical, pois a criação na passa a ser pensada a partir de como executaria ela ao vivo. São vários detalhes que andam neste grande universo que é o Live.

Percebo que a sua gravadora, Nin92wo, também tem passado por um momento de transformação, mesmo que sutil. O que você pode nos contar a respeito disso?
Estamos em uma fase muito legal na gravadora. Nossos artistas estão amadurecendo junto com a gente e nosso som vai ficando mais sólido. Temos diversos lançamentos vindo por aí, tanto de artistas que já lançaram conosco e vimos crescer, como de outros que já são bastante expressivos e arrancam suspiros do público mundo afora. Mudanças são necessárias sempre para o desenvolvimento da ideia e isso faz parte do nosso dia-a-dia.

Sobre seu processo criativo: há algo que você costuma fazer atualmente mas gostaria de mudar? Você é do tipo que coloca horários e prazos para suas criações ou apenas deixa as coisas fluírem?
Criar e compor músicas são tarefas complexas. Então sempre deixo a ideia aparecer para depois passá-la da minha cabeça para as máquinas e na sequência gravar. Isso passou a acontecer nos últimos tempos e acho que assim consigo manter a ideia inicial bem preservada e acredito que ela tenha mais valor assim. O processo tem mais fluidez.

Desde sua primeira faixa lançada até a última finalizada: como você avalia a evolução de sua música do ponto de vista artístico?
Não consigo nem mensurar a evolução. Foram tantos anos desenvolvendo técnicas e estudando formas de se fazer música que já não consigo nem considerar música as primeiras, estão mais para rascunhos. Costumo dizer que o estudo faz milagres e o tempo vai levando a evolução. Então andamos em volta disso para criar. Calma, empenho e perseverança são necessárias.

Fora do ambiente musical, o que exatamente te motiva a evoluir como um DJ e produtor?Minha família e meus amigos são fonte constante de inspiração. Isso é um combustível para seguir em frente.

Quais foram as diretrizes que te guiaram na gravação desse mix?
Para este mix trabalhei algumas faixas que gostaria de tocar e nem sempre tenho oportunidade. Batidas quebradas e offbeats tiveram seu espaço na criação. Tenho ouvido bastante música diferente nos últimos meses e essas me inspiraram de alguma forma.