Amanda Mussi

Por Francisco Cornejo
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Tem Mussi para todo tipo de tarefa: designer, promoter, DJ, militante... como elas se entendem?
É bem puxado! Depois de muitos anos trabalhando como designer e tocando ao mesmo tempo, consegui me estabelecer mais na música e com o tempo fui migrando totalmente, e também criando mais espaço para produção musical, hoje em dia eu só faço design para projetos autorais e/ou relacionados a música, como para a Dûsk, ou para outros artistas e festas quando me identifico com a proposta. Inclusive chegou também o momento de pisar no freio com a Dûsk, pois estava ficando inviável fazer tudo ao mesmo tempo somado as turnês, começou a me sobrecarregar demais, até porque tem 1 ano e meio que abri uma agência de DJs, a Alt. E com isso as responsabilidades e demandas aumentaram, agora vou fazer poucas edições e com mais espaço de tempo. Agora, pra militância é uma questão de caráter e posicionamento, é como eu enxergo e luto pelo nossos direitos.

Pelas muitas parcerias que dá para ver você formando com outras DJs, esse parece ser um formato que não te intimida. Como você encara esse tipo de dueto e como se som se adapta a cada um deles?
Eu amo fazer b2b! E é onde mais aprendo, quando você não conhece o que a outra pessoa vai tocar é um desafio muito legal pensar no que você vai tocar depois dela para conduzir a pista, é meu esporte preferido rs, e acho que sempre sai uma terceira coisa dali de duas. A maioria das pessoas com quem costumo tocar b2b (Cashu, Ananda, Victoria Mussi, P. Lopez) têm uma sonoridade que dialoga entre eles, e com a minha também, então é mais uma magia de manipular timbres dentro de um universo que já desenvolvemos naturalmente.

Mesmo podendo parecer uma pergunta meio batida, sempre vale a pena reiterar as conquistas até aqui alcançadas, então vale saber a percepção de alguém que sempre esteve ativamente envolvida nessa luta: as coisas de fato progrediram com relação às condições e oportunidades mulheres na nossa cena? Se sim, quais foram os progressos mais significativos na sua opinião?
Eu acredito que teve sim uma mudança significativa, mas não é nem metade do que deveria ser ainda, tem um longo caminho pela frente até todo mundo entender sobre direitos e oportunidades iguais para todxs. Vejo que o número de mulheres DJs triplicou nos últimos 4 anos, e logo line-ups lotados delas, todas arrasando, porém, o que ainda vejo muito em festas grandes e festivais é maioria homens brancos heterossexuais, e vejo também que muita gente coloca mulheres em seus line-ups só para não ser mal visto, mas dá para ver de longe que ainda não absorveu a consciência real disso tudo.

Enquanto as pessoas não aprenderem que são privilegiadas e que o mundo não é o mesmo para todos, vamos continuar assim.

Por outro lado, acho que estamos cada vez mais fazendo nosso corre tão bem, tão legal, tão tudo, que esse tipo de comportamento ficou cafona e nem nos interessa mais estar trabalhando ao lado de marcas e profissionais que não fecham com nossa causa.

E esse set aqui com que nos presenteou, qual a pegada ou horário mais propício para curti-lo? Ele harmoniza com algum strain, queijo, carne, safra de vinho ou cerveja específicos?
Eu montei um podcast só com tracks de artistas latinoamericanxs, ele tá puxando pra breaks e techno, tá bem denso, perfeito para um dia de fúria em São Paulo.

Agora tem DGTL chegando e deve haver mais uma batelada de datas na sua agenda, mas sempre vale perguntar: onde, quando e como seus projetos vão se materializar no futuro próximo?
Tenho muitas datas legais aqui e na Europa que ainda não posso revelar, mas em breve embarco para minha terceira turnê lá, vou tocar em Berlin, Hamburgo, Budapest e Milão. Estou trabalhando num EP super especial que vai sair num selo novo de Berlin, e também em mais tracks para selos daqui e de fora, mas tudo segredo ainda rs.

No segundo semestre volto para os Estados Unidos para mais uma turnê também.