Anhanguera

Por Alan Medeiros (Alataj)

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O jacking é um movimento original de Chicago que tem conexão direta com a expressão artística através da dança. O estilo se desenvolveu no final dos anos 80 e desde então passou a ser especialmente associado à house music de Chicago - assim como o house, jacking bebeu diretamente das influências da disco para construção de sua base.

Não demorou para que o termo jacking house surgisse e passasse a ser utilizado de forma global. No universo da música eletrônica, jacking virou sinônimo de uma house music mais agitada, que pode ser explicada através de uma dança mais sensual. Aqui no Brasil, os DJs e produtores Décio Freitas e Dudu Palandre se desenvolveram como grandes referências do estilo através do projeto Anhanguera, dono de releases em labels internacionais importantes dentro do movimento.

Ano que vem, eles celebram 15 anos de Anhanguera em um momento muito especial para o projeto. Há poucos meses, Dudu e Décio passaram a fazer parte do casting de artistas da Defected, logo após o lançamento da faixa Cirandisco pela Glitterbox. Hoje, muito além do jacking house, Anhanguera é sinônimo de uma pesquisa completa no melhor estilo tributo a house music. Nesse bate-papo exclusivo, fica mais fácil entender a paixão que cada um possui pela música - o mix retrata essa profundidade artística que o Anhanguera atravessa atualmente.

Vamos começar com perguntas separadas. Dudu, quais características você mais admira no Décio?
Décio é um ótimo DJ, tem um grande feeling de pista e é extremamente mais organizado e metódico do que eu - no bom sentido. [risos]

Decio, o que mais você curte no perfil artístico do Dudu?
Eu, Décio, admiro o perfeccionismo e a persistência do Dudu em alcançar o melhor resultado seja na hora de produzir ou tocar.

É claro pra gente que o Anhanguera é uma das grandes referências da house music em solo nacional. Como vocês descreveriam essa jornada de resistência junto ao estilo nesses quase 15 anos de carreira?
A gente sempre apostou numa identidade. Todo artista evolui o seu estilo mas só aqueles que conseguem ter uma marca registrada passam para a história, coisa que acabamos buscando mas de forma acidental e natural. Nossa marca é essa house music alegre e cheia de groove.

Lançar pela Defected certamente foi um sonho realizado, não é mesmo? O que vocês destacariam de mais especial no trabalho da gravadora? Há intenção de uma nova colaboração no futuro?

Acompanhamos a Defected muito antes do Anhanguera, desde os anos 90. É impressionante a contribuição da gravadora para a expansão da house music em nível mundial. Eles souberam pegar a essência do estilo e levá-lo para o mainstream. Muitos clássicos da house music saíram pelo selo e a gravadora se manteve relevante ao longo dos anos com o lançamento de subselos acompanhamento a evolução da house music e ao mesmo tempo trazendo de volta sua essência disco com a Glitterbox. Temos conversado pra lançar mais coisas por lá, eles estão bem interessados, o que é primordial para continuar com essa parceria.

Diferentemente de outros projetos o Anhanguera não possui uma super intensidade de lançamentos por ano. Como funciona o processo criativo de vocês? De uma forma geral, há uma pressão por lançar mais ou isso não acontece?
A gente já lançou mais no passado, mas quantidade definitivamente não representa qualidade. O som do Anhanguera chegou a sua maturidade e pra sair algo a partir de agora tem ser realmente bom e satisfatório, claro, dentro do nosso critério pessoal. Pra isso acontecer às vezes de fato pode faltar tempo e inspiração, afinal não vivemos música full time.

Deixamos as coisas rolarem naturalmente, sem pressão, até pelo fato de já termos contribuído muito, sentimos que existe sempre uma ótima receptividade quando pintam novos lançamentos, parece que as pessoas já vinham esperando e nunca há a sensação daquela coisa de "poxa, os caras tinham sumido".

Sabemos que essa é uma pergunta um tanto quanto ingrata, mas vamos lá: qual a produção preferida do catálogo do Anhanguera para cada um de vocês? E a melhor performance?
Décio: eu gosto muito de Weekend Lovers e Gangsta Melody, difícil nomear uma. Como performance, foi muito marcante nossa primeira apresentação no Moving, D-EDGE.

Dudu: Muito difícil dizer que tenho um filho favorito. Gosto desde a Gangsta Melody até Cirandisco. Adoro Funky Miracles, Louder is Better, Moodywoman. Impossível pinçar uma. Performances também, foram tantas ótimas... mas vou escolher a nossa estreia na TribalTech ano passado.

Fora das pistas e do estúdio, qual é a posição exata que a música ocupa no cotidiano de vocês?
Basta entrar nos nossos perfis no Spotify pra entender, ouvimos todo tipo de música, o tempo todo. É nossa matéria prima para uma vida melhor. Ela está nos acompanhando sempre, seja qual for momento ou mood, existe sempre uma trilha sonora.

Por fim, nos contem um pouco sobre a preparação de vocês para gravação desse mix?
Antes a gente se preparava mais, mas hoje em dia, a grande verdade é que adoramos fazer no improviso, como se fosse em uma gig. Saímos gravando e vamos tocando o que sentimos na hora. Esperamos que vocês gostem.