Aryela

por Marllon Gauche

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A música é um campo criativo que permite e oportuniza artistas se expressarem de forma livre, longe de qualquer rótulo. Um espaço de autodescobrimento, que oculta e, ao mesmo tempo, aflora nossos sentimentos mais sinceros. Sintetizar e externar isso em forma de arte é o que faz cada DJ ou produtor ser único no cenário e é assim que Aryela vem mostrando seu trabalho em 2019.

Através de um belo currículo no mercado musical - que já ultrapassa uma década - Aryela hoje carrega consigo um amor incondicional por sonoridades mais profundas e consegue transmitir mensagens com livres interpretações através de sua música. Nesta conversa, fica mais fácil perceber todo o sentimentalismo presente em sua identidade artística, o que a faz uma artista autêntica e, acima de tudo, humana.

Oi, Aryela! É um prazer falar com você, obrigado por nos atender. Acreditamos que a música tem o poder de transformar as pessoas. No seu caso, você acha que se tornou uma pessoa diferente fazendo dela a sua profissão?
Olá, o prazer é meu, obrigada! Soou estranho quando me perguntei em voz alta se eu havia me tornado uma pessoa diferente, acredito que trabalhar com música me faz evoluir de acordo com aquilo que estou sentindo em determinado momento. Se estou feliz, ela se faz vibrante, se estou triste, ela me responde, enfim, a música por si só e em toda sua diversidade é transformadora, acalma e abraça.

É uma arte e trabalhar com arte é, acima de um enorme desafio, maravilhoso, porém diferente talvez não seja a palavra correta, eu amadureci como profissional dentro do mercado que escolhi para trabalhar mas a essência prevalece, às vezes um pouco perdida, porém ela está ali, a Aryela não é diferente por trabalhar com música, ela é mais completa e feliz.

Você já possui mais de 10 anos de carreira e com certeza muita coisa mudou desde que tudo começou. Na sua visão, o que a cena possui de melhor atualmente? Estar em São Paulo ajuda você a se desenvolver como artista?
Eu me mudei para São Paulo justamente por ter essa visão, acreditar que estar na big city me deixaria mais próxima da música eletrônica e de certa forma há 13 anos atrás eu não estava errada, vim para estudar produção musical, construí importantes amizades na área, meus professores foram muito importantes na minha vida, abri e fechei portas aqui, isso me ajudou muito, no entanto, ao mesmo tempo, sei que posso trabalhar com música de qualquer lugar do mundo. Estar em São Paulo é um desafio atualmente uma vez que o barulho da cidade grande pode ser ensurdecedor, tenho meus escapes necessários inclusive para trabalhar minha criatividade.

Sobre a cena... ela tem de melhor o que fazemos dela, é preciso coragem para enfrentar certos desafios, muitas pessoas acreditam que precisam estar na moda. O bom é que as mudanças são uma constante e no meu ponto de vista isso é super positivo. Diversidade né, é linda, a melhor parte são as mulheres conquistando lugares de destaque e sendo tratadas com profissionalismo e respeito, reconhecimento por competência e talento.

Você voltou ao mercado em 2019 focada em produzir músicas autorais, certo? Algum motivo especial para ter tomado essa decisão?
Eu nunca saí do mercado, eu me distanciei das pistas, vivi um processo que julguei necessário a mim mesma. Produzir as minhas músicas sempre foi o objetivo, eu me sentia insegura, lançar algo publicamente é o primeiro passo para o fracasso, você se expõe aos mais diversos tipos de comentários e julgamentos, hoje eu entendo que vai ser sempre assim e está tudo bem, o público pode ser severo mas eu decidi canalizar minha energia no que eu acredito e levar tudo como aprendizado.

Depois desse tempinho longe dos palcos eu coloquei na minha cabeça que só voltaria em cena como DJ/produtora, funcionou como uma meta e funcionou mesmo. Essa é só a primeira música e o objetivo agora é evoluir como produtora musical. Se eu posso dar um conselho, fica aqui: reinventar-se é absurdamente necessário, não tenha medo de mudar.

Sabemos que além da música existem outras paixões em sua vida. Você escreve textos e até mesmo as próprias letras de suas músicas… O que mais além disso? Essas características te ajudam a construir uma personalidade mais forte musicalmente falando?
Tudo vira inspiração, bons e maus momentos, uma viagem ou um problema. Permaneço aberta a tudo e filtro o que se encaixa ou não na minha vida. Escrever descreve bem isso, é uma forma de colocar pra fora o que passa aqui dentro. Musicalmente falando, certamente que são coisas que florescem a criatividade, escrevo desde adolescente, tenho pilhas de cadernos de textos, poesias, situações que passei na minha vida, tenho o hábito de escrever sobre mim, não gosto de colocar no papel algo que não vivi na pele. Eu preciso estar em movimento sempre, seja escrevendo, compondo ou me jogando de aviões em movimento.

Sobre este set, qual a ideia principal por trás dele? Você optou por mixar músicas que você mais curte ouvir ou algo que represente melhor seu estilo?
Espero que curtam esse set como eu curti fazendo. Ele foi crescendo despretensiosamente, não condiz necessariamente com o estilo de música que venho produzindo, trabalhei o que venho ouvindo ultimamente, não precisa ser uma coisa ou outra, pode ser os dois, já que as minhas produções estão definitivamente mais melódicas que esse set inteiro.

Sua primeira produção do ano foi “Wrong Way Around” e, agora, você lançou “Cumulus”, ambas seguindo uma linha melódica. Essa é a característica que mais lhe atrai na música eletrônica?
Eu estou renascendo como artista, como produtora musical, com outros olhos para minha profissão, com muita paciência e convicção. Isso por si só é muito especial pra mim, além de poder ouvir meus vocais numa track. A letra da “Wrong Way Around” reflete essa busca por um novo caminho. A melodia mais dramática me atrai muito sim, especialmente na hora de produzir, porém eu não vou me prender a uma característica, flexibilidade é importante, na música e na vida.

E o que podemos esperar futuramente de Aryela? Você já tem novas produções para os próximos meses? Obrigado por conversar com a gente!
Eu que agradeço! Tenho algumas tracks no processo de finalização, serão lançadas nos próximos meses e claro, já estou trabalhando em outras. A verdade? Não esperem, apenas sintam. Sonho em fazer live vocal e partir para uma apresentação mais orgânica, de repente. Tenho planos para um trabalho mais experimental, isso dá pra contar. Um beijo e obrigada mais uma vez.