Burkamina

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Burkamina é uma DJ multicultural, produtora, agitadora e idealizadora de projetos na cena eletrônica em São Paulo.

Em 2014 começou sua carreira de DJ e fundou a Sonido Trópico, após 2 anos produzindo festas, passou a se dedicar a outros projetos profissionais, tocou no Festival Nomade (Chile) e hoje é a produtora e artista residente da Tropical Twista Records.

Seus sets trazem uma identidade única com referências da Europa, Oriente Médio, África e Brasil, com batidas sofisticadas e muita percurssão, Burkamina apresenta uma maneira fascinante de apresentar sua história através da música strutting downtempo, Up Beat e outras vertentes.

Do começo, como você iniciou sua carreira na cena eletrônica?
A primeira vez que me envolvi com a cena eletrônica em São Paulo foi em 2014 trabalhando como produtora na Blum a convite da fundadora Nicolli Penteado, na época eu tinha uma página no Facebook chamada Groove Tropical que havia criado sozinha com o intuito de dividir minhas pesquisas musicais e material de arte que achava relevante pra compartilhar.

Produzi algumas edições da Blum com a Nicolli e mais duas pessoas na época e convidei a Nicolli pra fazer um evento com o nome da Groove Tropical, convidamos também o Leo Hare (ex Sonido Tropico - atual Zaragata) e produzimos a edição da festa. Após essa edição a Nicolli quis se dedicar apenas à Blum e eu junto com o Leo Hare fundamos a Sonido Trópico.

Segui com Leo e com a Sonido Trópico, dei inicio ao meu projeto de DJ Burkamina, convidamos o Spaniol na época pra ser artista residente e o Igor Lucarini para dividir a sociedade com a gente. O projeto seguiu bem até certo ponto quando percebi que minha percepção de criação não estava mais sendo seguida, então me desliguei. Hoje desejo sorte ao projeto que segue sem nenhum de seus fundadores originais.

Recentemente comecei a trabalhar no ano passado como produtora e artista residente do selo Tropical Twista, dividindo trabalhos de curadoria com o fundador do selo o DJ Felipe MD.

Quais foram as inspirações para este set? Qual o ponto de partida e como ele vai se desenvolvendo?
Eu quis testar umas tracks que havia pesquisado que tem um bom trabalho vocal, o set evolui com esse misto de cânticos de várias culturas... quem ouve vai sentindo essa viagem cultural não só com os vocais, mas com a grande variedade de instrumentos orgânicos utilizados nessas tracks, que faz grande parte do meu repertório atualmente. A inspiração em parte foi a energia do meu momento atual, uma energia alegre, solta, corajosa. Eu me envolvi tanto que quando terminei tive a sensação de ter escutado ele dentro de uma festa.

Quais as suas principais influências?
Eu não tendo a mirar em algo ou alguém específico, tento me manter de ouvido aberto a todas as situações, de repente ouço um vendedor de água no trem e ele me influencia a procurar algo pra tocar que se assemelha aquilo, o barulho do dia, dos movimentos das pessoas, das vozes... geralmente é o que me influencia

Desde que você começou a tocar muita coisa mudou no cenário da música eletrônica. O que você acha que de melhor e pior aconteceu?
Mudou muita coisa, quando iniciei vivíamos um momento totalmente diferente do nosso cenário político atual, para os produtores de festa era um pouco mais fácil do que é agora.

O que aconteceu de bom foi que tive a oportunidade de ver muitos amigos crescendo como artista, coisa que na época dos clubes era bem difícil, o que ainda acontece de ruim é continuar vendo situações em que artistas mulheres e trans tem seus trabalhos desvalorizados, ver que ainda há muita luta pra que possamos nos estabelecer no cenário da música eletrônica

Falando da sua música, como ela evoluiu com essas transformações e o que nunca mudou?
No início tocava tracks de muitos artistas que admirava, era uma delícia, me divertia muito e o público também, mas com o passar das experiências fui abrindo meu leque. Não estava mais satisfeita em tocar apenas o que eu gostava, mesmo que fosse uma boa seleta musical pra pista dançar, fui criando minha identidade ao tocar e fui pesquisar material que me fazia sentir que estava no caminho certo pra mim enquanto artista. O que mudou foi que hoje eu penso na música de uma maneira muito minha, não me contento em ouvir apenas o que já foi lançado, quero criar, produzir... O que nunca mudou é minha paixão por compor utilizando instrumentos, como teclado, percussão... Acho que a música eletrônica pode ser orgânica e criar uma track sem ter nenhum contato com algum instrumento que seja uma vez na vida não tem muito sentido pra mim.

Quais são as suas influências de sempre e o que você te escutado de novo que recomenda?
Comecei ouvindo Acid Pauli, Mira, de uns anos pra cá curti muito Jhon Montoya, Blond:Ish, Pilocka que tem umas tracks bem divertidas, gostei muito da curadoria que a Agatha Barbosa (Cigarra) fez pra Hystereofônica lançada pela Tropical Twista em 2018, hoje a Hystereofônica é um selo que trabalha só com produtoras mulheres e todas as tracks dessa compilação estão incríveis, eu tenho dado preferência pro trabalho desenvolvido por artistas mulheres, recomendo.

Como andam suas produções? Quais as novidades?
Dia 22/2 lanço um remix de uma música chamada "Silêncio" da banda Zaíra pelo selo Gatopardo de Curitiba - PR e em abril lanço meu primeiro EP pelo selo que sou residente a Tropical Twista Records

Novidades é que toco no Uruguai no Festival Mil Flores e em Junho toco no Fusion Festival na Alemanha.

Fora isso tem minha agenda desse mês:

8/2 - Organu & Tropical Twista apresenta: Zebra Centauri (SP)

16/2 - MBR com Mira & Chris Schwarzwalder (SP)

22/2 - Bar do Haules - Jundiaí - SP

22/2 - Gruta - Showcase (Tropical Twista) - RJ