Carlota

Por Francisco Cornejo

Carlota é uma personagem conhecida de qualquer um que esteja ligado nos novos coletivos que povoam a vida urbana noturna de São Paulo nos últimos anos, especialmente aqueles que, por paixão ou profissão, reparam e estimam o trabalho de artes visuais que sempre ajuda a promover cada evento. Sua obra já ilustrou festas célebres como a Tantsa e naturalmente se instalou como parte da iconografia da noite paulistana.

Aqui ela revela outra dimensão de sua alma criativa e nos presenteia com um set tão cheio de detalhes e cores quanto sua obra visual e que prenuncia muito do que ela trará para a pista da New Faces On The Block que vai rolar neste sábado. É uma viagem daquelas para embalar o final de semana inteiro.

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Por toda a história do design e da música, especialmente a eletrônica, há casos de confluências magníficas que se deram ou não na mesma pessoa, mas seu caso parece ser um no qual isto de fato ocorreu. Algum dos dois chegou primeiro ou eles sempre dividiram espaço na sua mente e coração?Desde sempre me interessei e tentei me envolver ao máximo em diversas vertentes no mundo artístico. Me formei em Cinema especializada em Direção de Som, mas ainda não tinha colocado aos mãos nas picapes. Quando eu saí da faculdade e entrei na área de design, eu já tinha realizado alguns cursos de artes plásticas tanto em São Paulo quanto em Londres. Como sempre fui muito próxima dos produtores e artistas da cena eletrônica com a minha relação com o Arthur (ElPeche), e sempre tive contato com a música, no começo do ano passado surgiu a chance de começar de fato uma carreira de DJ. E agora divido esse espacinho da mente e coração com o design e a música mais forte ainda.

O que a nutre criativamente em cada um desses âmbitos e como eles dialogam entre si sem conflitar na hora de produzir algo? Ou é justamente no conflito que as coisas surgem?
Muito doida essa pergunta, porque faz eu refletir mais sobre minhas raízes de criação artística. Acho que na parte de produção de design eu acabo sendo extremamente influenciada pelas minhas leituras do momento, e eu acabo dando mais voz as reflexões internas, mesmo quando faço uma arte para uma festa, por exemplo, eu pego o interior, a ideologia, o que de fato a festa é e como quer ser vista, sempre relacionado a coisas mais consolidadas internamente. Mas discotecar já é diferente, sempre foi pra mim uma maneira de expressão que dialoga mais com a energia que quero pulsar pro mundo, e essa tem mais relação com o que quero trazer pros outros de fato, minhas esperanças, alegrias e amor mesmo estando em situações de caos político. E isso só vale para o discotecar, pois as músicas que estou produzindo já dizem mais sobre o meu interior mesmo.

Se fossem para arrolar suas influências musicais e visuais mais importantes quais seriam elas?
Eu sempre procurei manter em dia minhas pesquisas relacionadas a arte, acho que cada vez mais as nossas influências são um mix doido sem sentido de referências que gostamos. Mas artistas visuais que eu gosto muito atualmente e que me vêem a cabeça agora são Bruce Riley, Jacob Jugashvili e as colagens do Augustine Kofie. Musicalmente minhas influências são bem brasileiras por causa da minha criação, sempre me lembro de estar escutando musicais nacionais desde pequena.

Há obras que não se merecem mutuamente que você se sinta à vontade para mencionar? Tipo: um disco absurdo que tenha uma arte que você que não ache que esteja à altura e vice-versa?
Nossa Chico, na verdade a primeira oportunidade que eu tive de design foi uma loucura. Eu nunca tinha trabalhado com Photoshop direito, sabia ferramentas básicas, e ai o Arthur (ElPeche), que já conhecia minhas artes, me chamou pra fazer o logo dele e a capa de um EP. E eu lembro que na época eu não sabia o que fazer, nunca tinha feito uma capa pra nada, muito menos um logo. Foi ai que decidi fazer tudo na mão, tanto o logo dele atual, que foi feito num pedaço de papel depois só fotografei e vetorizei, quanto a capa. E a capa, que foi pra Tropical Twista Records há uns 2/3 anos atrás, eu fiz uns desenhos e montei tipo colagem, mas eu tenho bastante vergonha dela, porque pra mim foi um período de inicio de carreira, bem iniciante mesmo...

Além desse seu début na New Faces On The Block, qual o ímpeto ou inspiração que nos deram este mix?Essa oportunidade, como todas oportunidades na vida que aparecem pra gente e que vivemos elas ao máximo, são o maior fruto de inspiração. Mas a inspiração também é poder trazer algo com a música dentro de cada um que ouve o set. O prazer em fazer algo é muito importante e ajuda muito nesse processo em geral, mas ter essa chance de lançar essa mix é muito gratificante. Só tenho a agradecer.

E neste futuro próximo, qual a rota da Carlota no vasto horizonte artístico que ela já trilha?
É pegar tudo e jogar no ar e ver o que acontece hahahaha.