DJ Jeff Bass

Texto: Francisco Cornejo
Fotos: Ivan Stamato e Beeuz

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Jeff Bass é um velho conhecido de qualquer ávido conhecedor, seguidor, dançador e ouvidor de música dançante, principalmente aquela gestada na riqueza dos ritmos da diáspora e que tenha se aventurado na noite paulistana na última década. Tendo figurado como residente em algumas das festas que animaram os dias da semana de São Paulo, este nativo de Curitiba nunca se absteve de operar aquela delicada alquimia que oferece entretenimento e educação musical a seu público - mas que exige franqueza e confiança em troca - e é parte central do trabalho de qualquer DJ.

Fruto de uma cena que nos deu nomes tão centrais para a musicalidade afro-brasileira das últimas décadas quanto variados, entre eles o saudoso e seminal DJ Primo e a exuberante Karol Conká, ele nos oferece aqui uma seleção genial acompanhada de uma iluminadora conversa sobre seus rumos e os de seu ofício ontem, hoje e sempre.

Todos temos uma trajetória e ela sempre é marcada por locais e grupos que nos criaram ou ajudamos a criar, então cabe perguntar: quais a cidade e a cena musical que criaram o Jeff Bass?
Sou paranaense, de Curitiba, onde participei ativamente de muita coisa, por isso a linha que separa o ser criado de ajudar a criar é muito confusa. Dança, música, produção cultural... apesar da cidade ter abrigado nos anos 1990 e 2000 uma cena bem diversificada, muito do que se produziu por lá nessa época (com raríssimas exceções) acabou ficando no underground. Rap, Ska, Rock de vários estilos... eu mesmo toquei como DJ em bandas de Jazz, Funk, New Metal, fui B.Boy (rs). Aí surgiu a oportunidade de discotecar em clubes, e isso virou minha atividade principal. Viajei bastante pelo Brasil e outros países e acabei também me mudando pra São Paulo por conta disso.

Teve um momento crucial nesse percurso do qual você se recorda como sendo o “é isso aí que eu quero fazer/ser” com relação a ser DJ?
É difícil escolher um momento na minha trajetória, mas se eu tivesse que pontuar um seria a convivência por um tempo com um dos caras que eu mais admiro como artista: o DJ Primo(RIP). Que começou na primeira vez que eu o vi de perto fazendo um beat juggling com dois discos do Jimmy Bo Horne (Let's dance across the floor). Era 1996(97?) e ali eu percebi que alguém parecido comigo podia alcançar muito mais do que eu podia imaginar até aquele momento. Não era um cara em uma fita VHS ou na TV... entendeu?! Foi uma sorte que eu tive na vida. Eu já acompanhava o trabalho de diversos artistas na época, mas ver de perto alguém com a qualidade técnica e com o gosto musical daquele cara foi inspirador.

Ecletismo hoje em dia se tornou uma voga que é até usada por alguns seletores como sinal distintivo e preferencial entre o público e até promoters. Pertencendo a uma determinada geração que sempre teve isso como um fundamento, esse fenômeno lhe pareceu curioso enquanto artista ou veio mais como um alívio como profissional ou mesmo na qualidade de frequentador de bailes?
Eu vejo essa tendência como uma coisa positiva.

Acredito muito que o gosto musical de uma pessoa é moldado pelo meio social e que a profissão DJ permite que o artista exponha (quando quer ou quando pode) traços de sua personalidade. Quanto mais diversa a experiência social, mais referências terá (ou deveria ter) o trabalho. Acho interessante que essa característica fundamental da "função DJ" tenha sobrevivido graças ao interesse dos novos DJs em trazer musicas novas, revisitar clássicos, etc... A minha geração teve acesso à muitas referências através do rádio e das lojas de discos, e por isso a relação com a música era totalmente diferente. Hoje é incrível como apesar de toda tecnologia e tudo que envolve a profissão no contexto atual, o bom "garimpo" continua ajudando artistas novos a emergir e artistas antigos a manter a relevância.

Este mix aqui harmoniza com algum estado de espírito, comida ou bebida específicos? Tem algum horário do dia ou local da casa mais apropriados para curti-lo?   
Gosto muito de caminhar ou correr ouvindo música. Bem cedo ou no final da tarde. Se eu pudesse dar uma dica pra quem vai ouvir, seria essa.

E, depois dele, vem o quê para Jeff e seus projetos?
Estou preparando um EP com produções minhas. Tem influências de música brasileira de várias regiões, de funk, jazz, afrobeat, "bass music"... vários músicos talentosos toparam participar.

Tô trabalhando há dois anos nisso e tô bem feliz com o que fizemos até agora. Devo ter um single até a metade deste ano. Por enquanto é isso.