Guss

Por Francisco Cornejo

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O talento de Guss foi criado na pista e curado nas cabines de muitas das raves que fizeram o cenário do sudeste paulistano, mas sua visão como criador de projetos como a Ressonancia, que ajudaram a recompor a paisagem noturna da cidade, foi estimulada pela sua participação em tantas outras que a formaram, dentro e fora dos clubs.

Se fôssemos tentar definir seu estilo como DJ, seria difícil enquadrá-lo em um outro gênero, já que sua abordagem preza a dança e valoriza a pista acima de tudo, sempre bem firmada no tipo de potência que carrega pesadas doses de emotividade e excitação. Algo bem afeito a alguém cujas frentes de trabalho - sejam festas, selos ou sets - constantemente primaram pelo ecletismo e o entretenimento, mas sempre se fundamentaram num conceito musical sólido acima de tudo.

Sem dúvida, São Paulo está no auge de um movimento de renovação e a Ressonancia se tornou um dos players centrais desse processo. Como você vêem sua contribuição para este momento da vida noturna da cidade?
Todos os núcleos que fazem um trabalho sério contribuíram e contribuem para esse momento de São Paulo. nós ficamos muito felizes em fazer parte desse momento fazendo algo que amamos, com muito planejamento, pesquisa e dedicação de corpo e alma para criar e trazer uma experiência incrível para o público. Eu, Minoru e Beto (parceiros no projeto) estamos sempre garimpando, buscando novidades e com vários outros pares no mercado, o nível de exigência e expectativa aumenta, fazendo com que cada evento seja sempre especial. E acreditamos que é isso que coloca São Paulo na dianteira frente a outras praças.

Em sua opinião, o que faz de São Paulo o que ela é? Quais os principais elementos que a destacam entre outras metrópoles dançantes das cenas regional e global?
A miscigenação e a pluralidade paulistanas trazem com elas diversas bagagens, criando um cadinho de influências e tornando-a altamente rica em repertório e possibilidades.
Aqui temos alguns dos principais núcleos de eventos do Brasil e da América Latina, gerando uma concorrência gigantesca, e isso faz com que todos sempre estejam em busca de novidades, artistas diferenciados, labels internacionais, e novas experiências etc. Hoje em dia temos noites com 2, 3, 5, as vezes até 10 opções de eventos com qualidade rolando ao mesmo tempo para escolher, seja um club, rooftop, fábrica abandonada, locais históricos, privates, open airs etc… Claro que quem ganha com isso é o público, que tem a diversas possibilidades de escolha e experiências totalmente distintas e novas. 

Certamente os estágios iniciais que criaram esse cenário já pertencem ao passado. Isso se torna ainda mais claro quando vemos a atual administração da cidade e sua menor vontade de dialogar com os coletivos que construíram a paisagem atual. Como você vê o futuro e seu lugar nele?
Acreditamos que precisa se ter calma, não adianta sair chutando o pau da barraca com prefeitura e demais órgãos, pois no final muita coisa irá depender deles e principalmente estarmos dentro da lei. Então nós somos bem cautelosos quando esse é o assunto e sempre fizemos todos nossos eventos dentro das normas de segurança e com todas as documentações necessárias, justamente porque o plano é de crescimento. Acreditamos que as coisas cada vez mais ficaremos restritos a determinadas áreas e espaços, onde seja possível realizar eventos dentro das normas estabelecidas pela prefeitura. Por um lado isso é ruim, pois acaba restringindo novas e inusitadas possibilidades. Porém todos eventos devem ser 100% legalizados para que assegurem o público, que é o nosso maior bem.

Qual a ideia ou inspiração por trás desse mix?
O mix é já inspirado nessa Ressonancia essa linha do set com certeza será explorada nela durante meu set. Já tem algum tempo que eu embarquei no progressive house, e cada vez mais tô apaixonado por essa linha de som. Eu sempre gostei de melodias, e agora eu me encontrei musicalmente. Ali vou ter a tarefa de tocar antes do Monkey Safari e Yotto, então é uma responsabilidade gigante.