Julia Govor

Por Flávio Ghidalevich
Fotos Mimi Abinta

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A DJ e produtora russa Julia Govor, é destaque da festa Dûsk, que rola no dia 8 de junho no inferninho 380, no centro de São Paulo. 

Compositora rítmica e DJ, começou sua relação com a música aos 6 anos de idade. Julia já teve faixas remixadas por Ricardo Villalobos no MindSeries e Seth Troxler no Boiler Room Recordings. Depois de 10 anos em Moscou onde tocava no lendário club Arma 17, fixou residência em NY. Ela tem conquistado o mundo com sua seleção de techno versátil e envolvente, já se apresentou com lendas como Jeff Mills, Nina Kraviz e Richie Hawtin.

Por meio de sua música, ela criou um mixtape exclusivo para o deepbeep, reunindo suas principais influências.

Você começou sua relação com a música aos 6 anos de idade, como cantora. Depois disso, quem ou o que mais te inspirou a se apaixonar por música eletrônica e começar a tocar?  
Pra ser honesta, faz tanto tempo que eu já esqueci. Mas eu diria que viajar para outros países, encontrar outras pessoas e aprender outras línguas me ensinou a aprender novas coisas. A evolução acontece porque nosso ambiente está mudando. O ambiente está mudando porque nós estamos mudando. Seres humanos têm uma habilidade incrível de aprender rápido e se expressar de muitas formas. Cozinhando, ensinando, cantando, contando, de qualquer maneira. Eu quis me expressar através da música, porque eu percebi que sempre descobriria algo novo ali. 

Infelizmente sabemos que ainda existe muita desigualdade nos line-ups quando se foca na questão de gênero, mulheres tendem a ser minoria, o que você acredita que pode ajudar a melhorar esse cenário?
Duas coisas: apoio e solidariedade. Os produtores precisam contratar mulheres, simples assim.

Fale um pouco sobre como foi colaborar com os artistas com os quais você têm lançamentos ( Kamran Sadeghi, Ricardo Villalobos, Jeroen Search)? Conte um pouco sobre seu selo e o personagem que você criou, como se equilibra entre ser DJ e produtora?
Com Kamran, começamos nossa relação como amigos que compartilham as mesmas ideias e visões. Mesmo que nosso som fosse diferente, as ideias estavam se mostrado similares. Kamran é meu compositor e produtor favorito, eu aprendi muita coisa, é uma relação única. Nós até nos casamos! Estamos juntos há 7 anos.
Ricardo é um cara muito simples e está sempre aberto a coisas novas, sem preconceito. Ele deixa você tocar usando os equipamentos dele por horas em seu estúdio. Trabalhar com ele é um processo bastante agitado, pois ele tem muita energia e seguir suas orientações pode ser desafiador.
A colaboração com Jeroen Jearch (o álbum que sai em outubro pela Pushmaster Disc) foi um pouco diferente porque trabalhamos remotamente, ele na Holanda e eu em East Village, Manhattan. Mas eu gostei da experiência. Trocamos música o tempo todo, nada mais do que isso.

Eu amo o processo criativo e sair da caixinha. Criar meu próprio selo me ajudou a melhorar o que eu estava fazendo e levou todo para uma direção mais artística. Jujuka é um projeto multidisciplinar que inclui música acompanhada de quadrinhos. Eu colaborei com dois ilustradores de Londres.Jujuka é a personagem principal dos quadrinhos, uma raver de verdade experienciando a vida noturna no ficcional distrito 909. Cada lançamento vai tem um novo quadrinho. A música expressa sua emoções e suas histórias.

Em quais projetos você está trabalhando agora e gostaria de contar um pouco pra gente.
Eu estou totalmente envolvida com Jujuka no momento, desde a criação até a busca da empresa de RP correta, a integração de Jujuka numa exposição de arte, etc. Além disso, também estou trabalhando com novas músicas constantemente! 

O que você conhece sobre a cultura musical brasileira, como enxerga e sente DJs e produtores da América Latina na produção da música eletrônica mundial?  Eu conheço Jorge Ben e Tim Maia muito bem! Infelizmente, não conheço muitos produtores de techno do seu país. Espero encontrar alguns quando estiver aí! Quem sabe eu até sou convidada para conhecer algum estúdio 😊 Ouvi sets incríveis da Amanda Mussi e RHR, sou fã das produções dos garotos do LPZ, Victoria Mussi de Assunção, Jonas Kopp da Argentina, Valentina Morretti from Mexico, Astronomical Telegram e Adriana Lopez da Colômbia.

Qual proposta você quis seguir nesse mix que gravou, como você definiria sua sonoridade e a música que você curte? 
Às vezes, eu tenho tanta coisa na minha cabeça que eu me sinto deprimida e não consigo dormir. Tenho insônia e sofro de ansiedade. Soa familiar? =) A noite em que eu gravei o podcast foi uma dessas noites! Fazer essas coisas ou fazer música me ajuda a deixar as coisas fluírem.