L-Side

Por Francisco Cornejo

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Não tem papo torto ou muito menos tempo ruim com este afável paulista de Mauá que já exibe um belo currículo como produtor e e seletor de breakbeats em diversas velocidades. Sua profunda musicalidade é evidente em tudo que realiza, seja pelo cuidado com que monta faixas de elevada potência percussiva e de extrema força melódica ou pelo cuidado com que as encaixa em sequências tão cativantes quanto dançantes.

Ele também é um dos mais profícuos integrantes da V Recordings, selo do visionários Bryan G e por onde lançou seu álbum "Carnal Mind" no ano passado, granjeando apoio de críticos e aclamado pelos junglists mais exigentes. E aqui ele sintetiza muito do que faz de seu talento algo único no Brasil nesta conversa despojada e neste mix que seguramente vai ressoar por caixas torácicas e cranianas e colocá-las em movimento, onde quer que estejam.

Apesar de nossas gerações serem relativamente distintas, nossa trajetória é um tanto parecida, então vale perguntar logo de cara: como foi que esse universo maravilhoso de música e, especialmente, o D&B, surgiram na sua vida?
Venho de uma família muito eclética, um pai que curtia de Trio Nordestino até Alpha Blondy, meu irmão mais velho introduziu o Rap, Rock na minha vida no final dos anos 90 e logo em seguida a Música Eletrônica. No início dos anos 2000 meu irmão me deu de presente o CD do DJ Marky – Audio Architeture 2 onde conheci o Drum & Bass e um dos artistas que mais me influenciou: Marcus Intalex.

Quem veio primeiro, o produtor ou o DJ? Desde quando eles existem e como o trabalho de cada um se interpenetra?
Sempre fui ligado com a música desde a minha adolescência, gostava de tocar violão e guitarra e logo peguei amor por editar músicas no computador com um software chamado ACID Pro, onde fiz meus primeiros edits.

Em 2003 conheci um grupo de Rap da Carolina do Norte chamado “Little Brother” e comecei a pirar nos beats produzidos pelo 9th Wonder, comecei a pesquisar sobre o produtor e conheci o software “Fruity Loops” que ele usava para criação de seus instrumentais, foi onde comecei me aventurar com as minhas primeiras batidas.

No ano de 2006 comecei a discotecar por hobby com os amigos da cidade de Mauá e acabei me apaixonando pelos toca-discos. Hoje em dia ainda me considero mais produtor do que DJ, pois tudo seria mais difícil se não tivesse o lado produtor por trás de tudo. Criar as próprias tracks me trouxe grandes oportunidades e também me aproximou de artistas que admiro.

Seu trabalho e qualquer frente sempre vem recheado e recoberto de influências de todo tipo e toda parte, uma tradição das mais nobres do gênero, mas que ultimamente parece se tornar um tanto acessório. Como esse ecletismo tão orgânico foi cultivado em você como artista?
Eu sempre achei importante ter a mente aberta para ouvir de tudo um pouco, saber filtrar o conteúdo e extrair o máximo dele e é assim que faço. Procuro ouvir rádio, fazer pesquisas, comprar discos de vinil – sempre a procura de novas descobertas e músicas que possam me inspirar a criar.

E quanto a esta seleta? Tem alguma intenção ou proposta por trás dela? Algo que amarra tudo junto ou é um exercício em improviso?
Nesse mix eu procurei tocar um pouco das músicas que gosto de Drum & Bass, novas e antigas e algumas coisas de minha autoria, toquei músicas de artistas que admiro e me inspiram como Marcus Intalex e Spirit. Espero que gostem!

Agora é o momento de falar para geral o que vai rolar no futuro próximo ou distante: avisos, anúncios, conselhos ou mesmo um salve...
Para o ano de 2019, estou focando no meu segundo álbum pela V Recordings, procurando investir em equipamentos de estúdio e estudando bastante sobre Mix e Mastering. Atualmente estou trabalhando com remixes para alguns produtores também. Gostaria de agradecer primeiramente ao portal deepbeep pela oportunidade de falar do meu trabalho, agradecer muito o boss Bryan Gee por todo apoio dado a nós brasileiros e novos produtores, Aos DJ’s e ao público que dão suporte para as minhas faixas.