Linda Green

Por Stefanie Gaspar

Brasiliense recém-chegada em São Paulo, a DJ e produtora Linda Green é um dos destaques do festival DGTL, que rola no dia 5 de maio em São Paulo. Dona de uma sonoridade que vai do rock ao pós-punk, da tech-house ao prog, a artista já é experiente na hora de comandar uma festa, e fez uma mixtape especial pro deepbeep reunindo suas principais influências e sons.

Além de seu trabalho e estudo como produtora musical, Linda contou para a gente sobre a festa House of Divas, ao lado de Andrea Gram e Amanda Mussi, e falou um pouco sobre seus produtores e artistas favoritos.

 Foto: Maik Schrank

Foto: Maik Schrank

Me conta sobre sua mixtape, vi que as faixas que você escolheu são bem múltiplas. De que maneira elas definem a sua sonoridade, a música que você curte?
Sim, com certeza tem uma dinâmica bem eclética na mixtape, hoje vejo isso como parte da minha identidade de artista. Penso que todas as referências musicais desde a minha infância, passando pela minha adolescência quando comecei a desenvolver um gosto pela pesquisa musical, estão se acumulando: rock, post punk, disco, house, tech house progressivo, até músicas que me lembram trilhas sonoras. Tento fazer um agrupamento por timbres que combinem entre si, independente do gênero musical.

O que está preparando para seu set no DGTL?
Serão 2 horas, entre 19h30 e 21h30, o que vai ser perfeito para o que estou preparando, começando por um BPM mais lento, dentro dos gêneros musicais que escolhi para a própria mixtape, incluindo dark disco, e alguma coisa de EBM.

Nos últimos meses tivemos algumas iniciativas em prol da igualdade de gênero nos festivais de música eletrônica e na própria cena autoral de SP. Você tem sentido diferença para melhor?
Cheguei em São Paulo para morar em julho do ano passado e tenho visto, principalmente em festas pequenas, uma grande consciência da necessidade da diversidade compondo os line-up, e muitas iniciativas das próprias mulheres em produzir as festas, incluindo mais mulheres dando oportunidade para novas DJs. 

Em quais projetos você está trabalhando agora e gostaria de contar um pouco pra gente?
Hoje tenho o prazer de produzir a House of Divas, uma festa que tem espaço dedicado a divulgar trabalho de mulheres DJs, junto com 2 DJs que há muito tempo já era fã: Andrea Gram e Amanda Mussi.
Além disso, sou residente do projeto BA-TA-LHA, do Sesc 24 maio, que é um projeto de batalha de dança entre estilos bem distintos, abrangendo não só hip-hop como gafieira, jazz, danças indianas e por aí vai. Tem sido um desafio maravilhoso pesquisar dentro de gêneros musicais diversos e entender melhor sobre vários estilos de dança. 
No momento estou me dedicando, principalmente, a estudar música e produção musical.

Vi que você produziu festas voltadas para ritmos tropicais, Delírio Tropicaliente e Selva Elétrica. Como foi a criação de ambos os projetos, e a sua ligação com música tropical e ritmos latinos?
A Delírio Tropiquente e a Selva Elétrica foram 2 projetos que juntamente com o Renato Rocha, Kurup, eu realizava em Brasília. A cultura da América Latina e a própria cultura brasileira sempre me fascinaram e foram muito importantes na construção da minha formação de base. Cheguei a fazer intercâmbio na Costa Rica e no Panamá, de lá trouxe muito afeto pelo reggaeton, pela cumbia, e por ritmos caribenhos. Naquele momento me dedicava mais para esse tipo de pesquisa, não deixei de lado, mas não é mais tanto meu foco.

Pra você, quais os destaques da cena de Brasília hoje, tanto de DJs quanto de produtores? E em SP, quem você sempre acompanha o trabalho?
A cena de Brasília vem se renovando com novos coletivos de festas, como a Sujo, a SNM, a Vapor, que tem foco em techno, tech-house e house, e sinto que esses coletivos têm trazido um novo fôlego para a cidade.
Os produtores que mais acompanho de Brasília atualmente são Kurup (Renato Rocha), que produz downtempo mais orgânico, e ^L_ (Luís Fernando), produtor de techno muito talentoso, ambos com reconhecimento internacional. Sobre DJs, as mulheres têm um grande destaque e a Ana Ramos e a Dai Monteiro merecem atenção especial.
Em São Paulo, preciso confessar que sou fã do trabalho inovador do Teto Preto, assim como do trabalho solo dos integrantes,  Ângela Carneosso e Zopelar. Ainda posso citar o projeto Vermelho Wonder que tem feito um trabalho incrível, que pessoalmente me agrada muito por ter uma ar de anos 80. 
As minhas maiores inspirações em São Paulo são as mulheres que têm conquistado um grande espaço e reconhecimento na cena nacional, como Amanda Mussi, Andrea Gram, Badsista, Cashu, Mariana Herzer e muitas outras.