Marina Dias

por Marllon Gauche

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Marina Dias é uma pessoa que sempre viveu cercada pelos flashes. Não. Não flashes daquela galera que fica com o celular na pista, mas sim de fotógrafos do mundo todo que clicavam a modelo para fotos editoriais, desfiles e qualquer outro job relacionado à moda. Desde muito cedo ela atraiu os holofotes para si mesma e foi considerada como um ícone das passarelas, desfilando para marcas poderosas do segmento como Chanel, Fendi, Versace e muitas outras. 

Mas não se engane, Marina também é muito respeitada em outro tipo de pista: a de dança. Sua história com a música também começou muito cedo, quando frequentava festas ainda na adolescência. Ela cresceu, desfilou, aprendeu a discotecar, posou, discotecou mais um pouco e hoje leva uma jornada profissional dupla, tocando todos os sábados na Nø Mercy, festa que acontece no Club Jerome onde é residente atualmente, sem deixar de lado seu talento e expertise no universo da moda. 

Em abril deste ano, ela passou a fazer parte do time de artistas da SmartBiz e agora é representada ao lado de outros grandes nomes da música eletrônica nacional. Para nos aprofundarmos um pouco mais na sua história de vida e trajetória musical, Marina nos presenteou com um podcast exclusivo e bateu um papo super bacana com a gente. Aperte o play e leia na íntegra!

Além dos desfiles em passarelas, hoje você brilha também atrás dos decks. Quando começou essa paixão pela música eletrônica? Muita coisa mudou desde quando você começou a tocar por volta de 2010?
Olá, deepbeep! Obrigada pelo interesse na minha trajetória. Música sempre foi muito importante na minha vida, venho de uma família muito musical. Comecei cedo a frequentar os clubes e a noite de São Paulo, a paixão pela música eletrônica iniciou na matinê ouvindo New Order e se consolidou na pista do Hell’s Club. Eu comecei a tocar eletrônico porque tinha cansado de tocar os mesmos sets, tinham uma seleção ótima mas era só escolher e dar play. Eu fiquei com vontade de mixar e depois que você percebe que encaixa e duas músicas viram uma é um caminho sem volta [risos].

Desde que eu comecei a tocar muita coisa mudou, o formato das festas, o interesse de quem frequenta e agora vejo um posicionamento político muito importante para a cena como um todo. A música eletrônica sempre foi inclusiva, uma cena onde o diferente é bem-vindo e isso é muito importante, especialmente agora.

Assim como na moda, ter uma personalidade marcante também é muito importante na música. Como foi o processo de construção do estilo que você toca hoje e como você o define? 
Quando você tem uma estética própria, suas paixões, seus ícones e suas referências, a sua assinatura aparece sem esforço. Eu gosto de coisas densas, prefiro graves, tenho uma certa aflição de agudos, então mesmo quando eu faço uma pesquisa específica, no caso de construção de trilhas por exemplo, sempre vou achar coisas com grave em evidência, acaba virando um estilo mas é só reflexo da minha personalidade. Eu não consigo definir o que eu toco. House? Techno? Electro?  Gosto de tudo isso, mas não sei. Tocar é orgânico e depende da pista em que você está.

Além de discotecar você ainda mantém presença na moda como modelo, diretora de desfiles, stylist... Como você equilibra essas duas frentes na sua vida?
Elas caminham meio juntas e mudam conforme as ideias e ideais vão se transformando. São reflexos. A gente equilibra como pode, só não pode parar.

O Club Jerome, onde você é residente atualmente, possui uma proposta de resgate daquela atmosfera singular que só era encontrada nos clubs menores de 20, 30 anos atrás... O que representa essa posição para você?
O Club Jerome era um sonho muito antes de se tornar o melhor clube da cidade. Era a vontade de ser sócio de um clube no sentido de ter um lugar onde você conhece o staff e o staff te conhece. O barman sabe se seu drink é no copo alto ou baixo, o copo é de vidro e o drink é bem feito. Lá você tem a certeza de que irá ouvir boa música bem equalizada, num lugar bonito, bem decorado e bem frequentado. Estar à frente dos sábados dando forma a esse sonho é muito prazeroso! Ali a troca é genuína entre a pista e o DJ, uma experiência inesquecível para ambos.

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E o que você procura fazer para manter seu case atualizado? Existe uma rotina de pesquisa musical?
Nossa! Levo uma vida enfiada no computador pesquisando música. Todo sábado, como residente, tenho que fazer uma mistura inteligente entre as músicas favoritas e as novas. O selo Nø Mercy especificamente funciona com uma mistura de clássicos e novidades.

Você entrou no início do ano para o time da SmartBiz. O que representa para você integrar o casting da agência?
Estar ao lado de nomes como DJ Mau Mau, Renato Cohen, Anderson Noise e Paula Chalup, que fazem parte da história da música eletrônica no Brasil, me faz acreditar que estou evoluindo na direção certa. Espero continuar a evoluir e acredito que esta representação pode me incentivar ainda mais.

Para finalizar! Você é uma pessoa muito determinada, que sempre vai atrás do que deseja, estamos certos? Quais os próximos passos da Marina Dias na carreira? Obrigado pela conversa!
Os próximos passos são uma continuação do caminho percorrido até aqui. Eu sou determinada, mas gosto de deixar a vida fluir também e ela está fluindo muito bem!