Martinelli

Por Francisco Cornejo
Foto: Ariana Miliorini
Capa: Mariana Rangel

Dentre as inúmeras formas pelas quais se tentou definir o Funk, esse composto percussivo tão elementar que funde levadas diaspóricas num força de malemolência corporal irresistível, talvez a mais eficaz seja aquela que o considera uma sintaxe rítmica que tem no ostinato seu fundamento e na dança seu propósito. Ele é uma série de princípios organizadores que extraem potencial dançante das mais diversas fontes e sobre o qual um jovem talento como o de Martinelli exibe um invejável domínio.

Parte do coletivo criativo que se congrega ao redor da ODD e especialmente daquela turminha produtiva do fundão esclarecido que tem em Benjamin Sallum e Pedro Zopelar outros notáveis membros, sua habilidade em manipular sons nos mais diversos estágios de preparo ou completude se tornou um elemento regular nos eventos do núcleo e uma das mais recentes provas de sua capacidade constante de se renovar.

Aqui ele nos oferece um mix que leva uma dose de cada uma das coisas que são marcos distintivos de seu som: acidez, contundência, psicodelia e uma incansável e eletrizante energia que percorre a seleção do começo ao fim. Desafiamos todos a ficarem estáticos durante a audição.

por Ariana Miliorini

por Ariana Miliorini

A cada vez que se apresenta, parece mais que você nasceu para fazer isso. Foi esse o caso? Essa relação com a música foi cultivada desde bem cedo ou ela é uma parte relativamente nova da sua vida?
Obrigado! Desde criança eu gosto da ideia de pesquisar músicas desconhecidas. Naquela época eu não tinha ideia do quanto aquelas pesquisas poderiam me influenciar, mas eu sentia algo bom quando achava uma música nova e mostrava para alguns amigos,mas só em 2014 fui descobrir o quanto o que eu escutava me influenciava; quando abri o Ableton Live pela primeira vez e ficava buscando referências do que eu já tinha escutado e gostava de ouvir para produzir. Foi aí que eu realmente filtrei meu gosto musical e desde então minha vida gira em torno dele.

Pelo menos no que mostrou até aqui em suas aparições, um gosto por levadas percussivas numa pegada sincopada é algo bem presente na sua musicalidade. Como isso aparece na sua concepção musical geral? Ele aparece mais como um princípio ou um objetivo?
Um princípio, com certeza. Novamente relacionado às influências. Gosto muito de ouvir sets em geral, perceber como são feitas as mudanças de climas e mudanças rítmicas. Exploro isso da forma que entendo e não me limito a somente uma vertente.

Sendo parte dos talentos da ODD e mais amplamente de uma geração mais recente de músicos e DJs que está renovando os ares dentro e fora das pistas de São Paulo, tem algo que você acha que ainda falta na cena local? Algo que poderia ser aprimorado ou até mudado?
Pessoalmente acredito que a cena aqui no Brasil tem muito a oferecer para aqueles que vem de fora, afinal o quanto é difícil fazer uma festa aqui, né? E também para aqueles que tomam como base cenas de outros países e não abrem o olho para o que acontece aqui dentro. Somos muito ricos em artistas, ideias e pessoas capazes e dispostas de fazerem acontecer. Cabe a eles reconhecer e integrar nossa arte.

E qual a inspiração/motivação/provocação que acompanha esse set?
Na real, eu queria era fazer um mix que tivesse como base um monte de influências minhas que tenho usado há algum tempo, além de algumas faixas que são de minha autoria.

E esse mundão velho que se abre adiante de você? O que pretende aprontar nele no futuro próximo e distante que possa dividir com a gente agora?
Olha, espero realmente poder continuar a me expressar em forma de música e continuar fazendo disso a minha vida. Pretendo seguir explorando novas possibilidades e desenvolvendo minha identidade musical. Num futuro próximo, ODD + BASSIANI (15/06) em SP e Dissolve (21/06) no RJ.