Mau Maioli

Por Marllon Gauche

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Sabemos que em todo lugar existem pessoas que além de se importar com o trabalho que realizam, buscam entregar algo a mais para as pessoas. No cenário eletrônico, Mau Maioli, se encaixa perfeitamente, um artista que vai além da discotecagem e se dedica para propagar a cultura da dance music onde vive e nos locais por onde passa.

Líder do projeto/festa Beat on Me e residente de duas importantes festas do sul do Brasil, Levels e Muinho, este jovem DJ é um dos principais representantes da nova geração de artistas do Rio Grande do Sul. Formado em Publicidade e Propaganda pela FSG, Mau consegue aplicar sua criatividade no meio musical e ainda dedica parte de seu tempo com iniciativas que buscam capacitar novos nomes da música eletrônica, seja ministrando cursos e workshops ou alimentando conhecimento sobre produção musical em diferentes plataformas.

Tivemos a oportunidade de bater um papo muito especial com Maioli que, além de nos inspirar com suas palavras, nos presenteou com um podcast exclusivo.

Oi, Mau! Tudo bem? Podemos começar voltando ao início de tudo. Quando foi a primeira vez que você olhou para música eletrônica como uma oportunidade de carreira?
Olá, tudo sim! Antes de começar queria agradecer e dizer que estou muito feliz em responder vocês, até porque quando comecei a procurar sobre música eletrônica esse foi um dos únicos portais que encontrei na época (sete anos atrás, em 2012) e isso significa muito para mim. Agora vamos lá. Eu tive dois momentos dessa visão. O primeiro foi quando estava na escola fazendo a trilha sonora de alguns eventos ainda sem ideia de ser DJ, mas eu toquei uma música e as pessoas reagiram positivamente, me elogiaram e dançaram, senti uma sensação muito boa. O segundo momento foi aos 17 anos, eu já estava em carreira e toquei pela primeira vez longe da região de onde eu moro. Acabei fazendo um set que gostaria muito de compartilhar no Soundcloud, mas eu sabia que necessitava pagar a conta premium para fazer isso, então foi aí que veio o pensamento de que se eu estou investindo, eu preciso de um retorno. Com esse insight comecei a olhar e pensar de forma diferente, como um profissional.

Poucos artistas da nova geração possuem um perfil tão ativo na cena nacional como você. De que maneira você enxerga seu trabalho de posicionamento nesse sentido?
Então, eu sempre fui muito intenso na hora de fazer coisas, sejam elas quais forem. Com isso somado à minha vontade de compartilhar, busco passar o máximo do que aprendo, ouço e toco para as pessoas. Só em 2019 já realizei um workshop e ministrei um curso básico de mixagem. Em 2017, realizei junto ao Muinho Club e a Beat On Me o primeiro bate papo da cena aqui da região da serra gaúcha, além de dois workshops nos últimos dois anos. Minha vontade é essa, criar outros eventos que acrescentem na cultura como um todo. Torço muito para que outros profissionais também façam isso e acredito que é super importante para nosso crescimento como pessoa e sociedade! Agora também venho pensando em ações em conjunto com a Levels. Esse é o foco e o meu objetivo: deixar algum pequeno aprendizado para as pessoas.

Apesar da timidez, percebo que você desenvolve um trabalho bem intenso nas redes sociais. É possível dizer que trabalhar esse lado exigiu grandes doses de superação?
Tenho gostado de falar sobre isso, dou até risada só de lembrar. No meu primeiro workshop eu comentei exatamente essa situação. Na escola havia apresentações teatrais e eu só queria fugir desse tipo de trabalho pela minha timidez de subir em palco ou estar em frente a muitas pessoas, mas o jogo virou, não é mesmo? [risos]. Com esse “problema” para enfrentar, eu busquei fazer algo nos bastidores e foi então que comecei a cuidar das trilhas sonoras desses mesmos eventos (onde eu ficava em uma cabine escondida e longe do palco). Foi nessa época que começou toda minha história na música. Mas sim, entrar nesse meio, gostar de música, se apaixonar por isso e querer seguir uma carreira me fez ter que enfrentar esse obstáculo.

No início desse ano você se colocou à disposição de artistas e profissionais que estão começando para dar algum tipo de suporte ou ajuda. Além disso, você também está iniciando alguns trabalhos na frente de ensino, certo? O que exatamente essa faceta do Mau Maioli está em busca?
Sim, estou muito feliz com os primeiros nomes e primeiras pessoas que buscaram conversar comigo. Isso ocorre porque no começo da minha carreira, ainda não havia tanta informação na internet e a comunicação até era “ok” entre outras pessoas, mas faltava informação, tutoriais ou facilidades para aprender. Eu tive pouco contato com “grandes players” e por isso também acabei fazendo coisas que não queria, mas claro que foram experiências necessárias para o meu desenvolvimento.

Hoje vejo que todos nós podemos deter um pouco do nosso tempo para compartilhar o que pensamos com outras pessoas que tenham interesse. Muitos artistas me ajudaram nessa caminhada até hoje, fui aconselhado por pessoas e conheci gente desde o começo da minha carreira que hoje são muito importantes no cenário atual do Brasil, como Alex Justino, Fran Bortolossi, VAntônio e o Cris D, que me ensinou a tocar, virou melhor amigo e parceiro na criação de festas. Então a ideia é me dispor aos outros para poder acrescentar com o que eu sei.

Já na questão específica do ensino, minha ideia é levar meu workshop relacionado a arte de samplear e fazer música de forma criativa para mais lugares. Meu objetivo era criar um conteúdo que abarcasse as pessoas que são leigas no assunto mas curiosas e as que já produzem ou discotecam. Com isso, nessa primeira experiência já tive um feedback super positivo e agora quero continuar com esse projeto.

Paralelamente a música, você acaba de se formar em publicidade e propaganda. Aonde o DJ e produtor encontra o publicitário nessa louca jornada da vida?
A faculdade me ensinou, ajudou e auxiliou muito nessa caminhada. Eu sempre fui muito chato em querer materiais gráficos bonitos esteticamente [risos], mas não só isso, a faculdade me mostrou como podemos trabalhar, criar conteúdo e ir sempre além. Isso tudo influenciou na minha comunicação e também me auxiliou na hora de criar campanhas publicitárias de festas, de planejamento de mídia, de ter um storytelling em eventos e em cada passo novo que eu possa vir a dar. Além de auxiliar diretamente a minha carreira, eu também crio materiais para outras festas - já criei algumas marcas também - então acabo estando envolvido nessa parte visual, uma área que gosto muito.

Qual sentimento você buscou transmitir ao longo da construção desse set? Obrigado por falar conosco!
Enquanto pesquisei e pensei nesse set, pensei em trazer um pouco de cada nuance que eu venho tocando na pista. Minha construção através do techno com o house tem sido uma das minhas maiores vontades e que mais tem me feito vibrar e me animar para continuar. É incrível como os dois gêneros podem sim se conversar e como a minha pesquisa tem ido além com essa ideia de construção. Além disso, tem pequenas aparições de músicas com uma ideia mais voltada ao breakbeat e, com isso, quis mostrar um pouco do que eu gosto viajando através de diferentes grooves, longas melodias e diferentes texturas.

Obrigado pelo convite, foi muito especial compartilhar um pouco de mim aqui no deepbeep.