Moretz

Por Francisco Cornejo

Belo Horizonte nunca cessou de nos fornecer muitas boas surpresas no âmbito da música, mesmo tendo sua relevância usualmente preterida pela centralidade das contribuições cariocas, baianas e até paulistas no que é considerado o legado musical brasileiro. Algo injusto e um tanto ingênuo que não passa pelo escrutínio de qualquer um minimamente interessado na opulência de nossa musicalidade, seja por sua história ou simplesmente por sua diversidade. Moretz é uma das mais novas adições a essa tradição e é alentador ter alguém tão jovial trazendo entusiasmo e frescor para esse terreno ainda mais circunscrito da eletrônica nacional.

Belorizontina, jovem e tão munida de bagagem musical quanto de repleta empolgação por compartilhá-la, ela é nossa convidada da vez para mostrar o que move esse trem todo que tem reinserido sua cidade natal no mapa dançante do Brasil. Um talento tão trunfado e original  como este é algo bastante rarefeito, tanto que será aproveitado em duas ocasiões especiais até o final do ano: compondo a escalação do capítulo mineiro da turnê do Dekmantel a ser realizada em outubro e do fabuloso festival de fim de ano concebido pelos membros da Gop Tun e Selvagem a Bahia,  o XAMA.

Quem ou o quê é Moretz? De onde vem, para onde vai, o que busca como artista?
Vou começar falando de onde venho e de onde surgiu o amor que eu tenho hoje por música eletrônica. Tudo começou com meu pai, que é apaixonado por House desde quando me entendo por gente. Desde pequena ele colocava as músicas que ele gostava para eu ouvir. Então eu cresci escutando Disco, Hip Hop e House, eu amava todas e pedia sempre pra ele colocar as minhas preferidas (que são as minhas prediletas até hoje). 

Mas aí eu virei adolescente rebelde e comecei a negar tudo que meus pais gostavam. Normal né? Tive várias fases musicais, mas sempre gostei muito do que ele me mostrava. Aí beleza….  fiquei mais velha e a cena eletrônica daqui de BH começou a ressurgir e  fiquei super empolgada. Frequentava todos os rolês e estava super maravilhada com tudo que acontecia aqui. Então comecei a conhecer o pessoal que fazia os rolês, iniciei minha pesquisa, fui criando minhas preferências e querendo conhecer mais de tudo. Daí, um certo dia, numa festa, o Omoloko, que também é residente da 1010, me perguntou "Amiga, por que você não começa a tocar?". 

Aí, pronto! Ele me ensinou e fui  praticar com a ajuda de várias pessoas maravilhosas e a querer fazer acontecer, e as coisas começaram a dar muito certo muito pouco tempo depois que eu comecei (vai fazer 2 anos em outubro). Ingressei num coletivo chamado SuperBaby que tinha aqui  e que, um pouco depois, acabou. Bem no meio disso fui chamada pra ser residente da 1010. 

Várias outras coisas foram acontecendo, fiquei muito surpresa de ter dado certo. Fui me apaixonando cada vez mais e me conhecendo como artista e como mulher até chegar aqui, onde estou hoje! Sou muito feliz com tudo que tem rolado e espero que as coisas continuem nesse ritmo! Quero crescer mais ainda como DJ e artista. Estou começando a aprender a produzir e quero focar nisso também.  Continuar perseguindo isso do modo que acredito, tocando em todo lugar que der pra tocar, conhecer todas as pessoas que der pra conhecer. Inclusive, pra mim, a maior magia disso tudo é conhecer e trocar experiências com as pessoas que também estão/são do rolê. E é isso!

Influências e inspiração: quais são as suas, ontem hoje e sempre? 
Minhas maiores influências que me fizeram pirar em pesquisar coisas mais antigas são o Mr.G, Steve Silk Hurley, Tyree Cooper, Monie Love, Yarbrough & Peoples, A Tribe Called Quest, De La Soul, Sister Sledge, MAW, Paul Johnson, Masters At Work, Housey Doingz, Mood II Swing, Steve Poindexter, Andreas Gehm, Fast Eddie,Mz Thang, Dj Tonka, Kerri Chandler, Adeva, Lil Louis, St Germain, Anthony Shakir, Robert Hood, Italo Johnson, LTJ (espero não ter esquecido de nada… acho!).

E, entre os mais novos, é o Palms Trax, Jayda G, Mall Grab, Demuja, Dj Plant Texture, D. Tiffany, Leo Pol, Steffi, STL, Bid Miz, Peggy Gou, Shanti Celeste, Valesuchi, Ellen Alien, Mr Tophat, Oleg Poliakov, Octo Octa, Honey Dijon, Marquis Hawkes, Avalon Emerson, Courtesy, Youandewan, Gene on Earth... acho que é isso!

E para este mix, especialmente, qual foi a ideia motriz? 
A ideia foi fazer um set de breakbeat house, gênero no qual ando pirando muito ultimamente, embalar pro Hip House, e depois para a Disco!

E para o futuro, dentro e fora da pista, o que você vislumbra? 
Pretendo focar muito na produção musical, contribuir pro rolê aqui em BH crescer cada vez mais e crescer junto como artista por aqui. Morar em outros lugares, viver novas experiências e vivências, explorar outras cenas e ver o que que vai dar disso tudo! 

Não parar de tocar nunca. Ah, e voltar a costurar e investir nisso também!