Nikkatze

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Por Francisco Cornejo

Nikkatze já é uma parte essencial dos acontecimentos e eventos que nos trouxeram ao vívido momento atual da cena noturna de  São Paulo. Tendo feito parte da escalação de praticamente todos os projetos que construíram essa história, ela consegue manter uma firme identidade artística ao mesmo tempo que transita elegantemente por cenários sonoros os mais variados. 

Sua musicalidade é algo que conjumina o lúdico e o onírico, num arco tão amplo que a ajudou a  indo de BLUM, onde é residente, à Voodoohop, Mamba Negra, DOMply e agora a ODD numa ocasião mais que especial em que o coletivo e suas empreitadas completam quatro anos de vida e luta no cenário cultural paulistano. Nos sessenta minutos que aqui nos dá de presente para entrarmos no final de semana, ela nos traz leva por uma jornada possante e inventiva que tem tudo para estimular corpos e mentes enquanto acalma (ou anima, quem sabe) corações.

Você vive e faz parte de uma época muito pujante da cena paulistana que recobre esta última década e renovou o cenário urbano noturno da cidade. Como foi fazer parte disso?
É tudo muito intenso para mim, eu acompanhava as festas antes de ser parte da produção delas, essa outra perspectiva de realidade foi tomando espaço na minha vida completamente, fazer parte disso é sem dúvida surreal, são paulo se abriu para um movimento que tomou uma proporção gigante e hoje temos muitos artistas independentes podendo viver apenas das próprias idéias,  para mim foi um alívio  ter me encaixado no mundo e encontrado pessoas com quem eu me identifico completamente, mas também foi ao mesmo tempo assustador,  participar disso com dedicação exigiu de mim que abandonasse tudo o que eu estava fazendo na época e começasse uma vida do 0, começo foi muito conflituoso para minha cabeça, é muito fácil se perder, eu demorei uns bons anos para poder colocar minha cabeça no lugar, e hoje posso dizer que estou completa, me sinto muito grata de fazer parte de tudo isso.

Entre ofício e forma de expressão, qual o lugar da música em sua vida? 
A música é tudo o que mantém minha alma leve e a mente tranquila, se tem uma coisa que segura minha onda é a música, nela eu encontrei a chave pra mudança em muitas coisas na minha vida. É raro o momento na qual ela não me acompanha. Uma forma de expressão muito complexa  e poderosa, que pode ser um ofício para curar, hipnotizar, divertir, concentrar.     
Criar conjuntos sinestésicos que podem vir a movimentar a nossa e as demais energias, é sempre incrível.

Certamente as coisas vem melhorando bastante em termos de representatividade, sustentabilidade e diversidade, mas também ainda há muito a ser feito. Como alguém que já vem fazendo parte das iniciativas e processo que ensejaram muitas dessas mudança, como você vê esses desenvolvimentos e o que ainda pode ser feito para ampliarmos e aprofundarmos tudo isso?
Nosso movimento é real uma ''gangue família'' bem unida, mesmo as vezes com conflitos internos, estamos sempre prontos para defender e lutar pelo colega. Acredito que a cena independente precisa investir sempre em estratégias de acessibilidade, valores de entrada inclusivos ou gratuitas, festas na rua,  são sempre um portal gigante de encontros e oportunidades, o que tem sido bem legal também são as aulas gratuitas  de produção, mixagem...

Este set aqui tem algum momento ou humor mais adequados para ser melhor apreciado, tem alguma comida ou bebida que harmonize melhor com ele ou alguma situação ou tarefa doméstica durantes as quais ele surta mais efeito?
Esse set é um pouco energético, acredito que é bom para correr, caminhar, praticar esportes num geral, fazer um after com os amigos, limpar a casa, lavar a louça, trabalhar no Photoshop kkk, sei lá, acho que depende muito da rotina de cada um, mas sem dúvidas não é um set para dormir haha.

 Acho que cai bem com café gelado sem açúcar, o que chamamos de coffee killer, aqui em Heliodora.

E quanto ao horizonte, o que ele guarda para a Nikkatze que ela possa dividir com a gente? 
Em junho vou passar pelo verão da europa, minha primeira gig em Berlim nesse ano  acontece na festa Trashera no club Renate dia 29 de junho, o resto é surpresa hehehe. Aqui em São Paulo, dia 20 de abril tem a festa BLUM na qual eu produzo, e nessa edição convidamos Fantastic Man (AU), também estamos inclusos na programação da Virada Cultural no dia 18 de maio, com a BLUM e também como Nikkatze.