OMOLOKO

Por Francisco Cornejo

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A 101Ø é uma pérola reluzente que ocupa um lugar cada vez mais brilhante na já opulenta coroa musical mineira, seja pela força com que ajudou a rejuvenescer a vida noturna belorizontina ou pelo colorido e talentoso contingente que compõe suas fileiras. No que se refere a este aspecto, já tivemos uma oferenda fantástica pelas mãos da prodigiosa Moretz e agora, dando sequência a nossos destaques dos seletores que comporão a equipe de condução de pistas no festival XAMA, convidamos OMOLOKO para nos embalar com um set repleto de momentos marcantes e carregado de uma energia contagiante.

Parte central do maquinário surrealista-farrista que põe o coletivo em movimento, dia e noite faça chuva ou faça sol, esta divertida entidade rítmico-onírica é uma das responsáveis por propelir pistas noite adentro através de um vasto repertório e valendo-se de um refinado senso de direção pisteiro. Aqui nos regalando com uma pequena amostra do que faz tão bem no comando dessa nave hedonista que comanda em Belo Horizonte e que aponta para muitos dos rumos musicais pelos quais pode nos conduzir nas festividades que tomarão conta da Península de Maraú.

OMOLOKO, o que é? De onde vem? Do que é feito? É perigoso? Vem em paz?
Omoloko é a forma que eu encontrei de me expressar através da música. Vem de Currais Novos - RN, é feito de chocolate e sorvete, perigoso sim mas sempre in pacce.

Quando essa entidade decidiu que a música seria sua forma de comunicação dileta?
Eu sempre me interessei por música, fazia playlists para amigos, o som que tocava no carro eu quem colocava, dirigia só para ouvir um som... Sempre baixei muitas coisas música, de fazer coleção, sabe? Desde os 12 anos. E todo mundo já sabia como me agradar... me compra um CD! Meu irmão foi uma pessoa que me influenciou muito quanto a isso, a gente meio que disputava quem encontrava as coisas mais legais!

Em 2012 eu morava em Ipiau na Bahia e, assim que completei 18 anos, me programei para participar do meu primeiro festival, o Universo Parallelo. Até então eu só babava nas idas do meu irmão, maior de idade, à São Paulo para acompanhar shows e festivais aos quais sempre quis ir, mas não tinha idade! Lá no UP eu tive contato com uma série de sons que sequer conhecia! Lembro que não saí do palco paralelo do Tortuga e do chill out. Foi assim por todos os nove dias de festival! Lembro-me do momento em que decidi que queria estar ali no comando da cabine. Era um showcase da Voodoohop no festival... inesquecível! Saí do festival falando para meu irmão que eu queria fazer aquilo da minha vida !

E quando escolheu essa mixórdia de ritmos dançantes como forma de expressão favorita?
Eu conheci muita gente na minha vida, mudei bastante de cidade, morei em 9 estados diferentes do Brasil. Vim lá do interior do Rio Grande do Norte... não podia ser diferente. Eu aprendi a entender que não existe música ruim, ela toca as pessoas de várias formas e, se ela não me tocar, vai acontecer com outra pessoa. E a mistura me toca: ouvir de tudo, entender de tudo um pouco, levar as pessoas para vários lugares... meus lugares!

E quanto à 101Ø? Qual seu lugar na vida dela e o dela na sua?
É a festa em que eu escolhi acreditar, em que eu ainda acredito! As pessoas que ela me apresentou estão inseridas 100% na minha vida de uma forma muito natural, tanto minhas migonas que fazem o rolê comigo, as que colam junto, as que eu tive o prazer de compartilhar a música que eu gosto... A 101Ø me proporciona poder continuar a fazer o que eu gosto. Até porque eu não sei se sei fazer outra coisa! (risos)

E esse set? Ele é livre, leve e solto ou tem uma finalidade, conceito ou mesmo um clima certo que ele ajuda a manter ou criar?
Quando eu sento para gravar algo geralmente as coisas que eu venho ouvido e gostado saem ! Eh esse o meu processo quando vou tocar também... eu ouço música o tempo inteiro. A história que eu conto nos sets ou nas minhas apresentações são sempre essa extensão de como eu estou me sentindo no momento!

E o quanto ao XAMA? Algumas expectativas já formadas? Como anda o gerenciamento da ansiedade?
Vai ser demais está na Bahia com meus amigos e com pessoas que conheci nas várias viagens que fiz esse ano para tocar! Tô vivendo cada dia de uma vez, fumando cada momento para poder chegar logo essa Bahia!