Rodrigo Ferrari aka 78

Por Alan Medeiros (Alataj)

O DJ e produtor paulistano Rodrigo Ferrari conquistou seu espaço na cena brasileira apostando em uma mistura contemporânea de house e techno. O que pouca gente sabe é que parte importante de suas influências estão cravadas na Disco Music e uma prova disso é a sua coleção de discos, repleta de clássicos do estilo que marcou os anos 70 e 80 e foi decisivo para consolidação do que hoje nós chamamos de House. 

Durante muito tempo, Rodrigo guardou o desejo de ter seu próprio projeto destinado as batidas da Disco, esperando a hora certa de abrir o baú de sua pesquisa musical para explorar tais caminhos. Motivado por um momento em que, tanto a nova geração, quanto os mais experientes, estão bebendo referências direto da fonte para construção de trabalhos atuais, Rodrigo Ferrari apresenta a estreia do 78 nesse fim de semana

78 será, além de seu alter ego para explorar facetas da Disco/Soul/Jazz/Boogie, uma residência regular no Vista, restaurante localizado no roof do MAC, dono de uma das vistas panorâmicas mais espetaculares da cidade de São Paulo. A nosso convite, Rodrigo falou um pouco mais sobre o projeto e gravou um mix exclusivo antecipando um pouco do que há por vir.

Olá, Rodrigo! Tudo bem? Acredito que a Disco Music vive um de seus momentos de maior efervescência pós expansão mundial no século passado. Muitos artistas contemporâneos como DJ Koze, Midland e Peggy Gou, bebem diretamente das influências criadas pela Disco Music. É possível dizer que essa nova geração de DJs e produtores exerceu uma influência direta para consolidação de uma nova safra de adeptos aos beats do estilo?
Música é comportamento e isso acompanha todas as mudanças o tempo todo. A volta do vinil, dos toca discos, o interesse no analógico. A moda destacando novamente essa época. Nos últimos anos uma série de movimentos gerou curiosidade geral, mas sem duvida, pro meu meio musical, a bandeira erguida por muitos artistas, espaço em grandes festivais, novos núcleos de festas que surgiram e principalmente o aumento nos samples de grandes produções, tornou inevitável esse espaço crescente.

Como surgiu a ideia de ter um projeto inteiramente dedicado a essas referências?  78 é algo que pode ir além do Vista futuramente?  Quais são os planos?
Intimamente sempre gostei de fazer sets nessa pegada. São discos que colecionei por toda uma vida, nunca deixei de compra-los e minha lista de desejados só aumenta (risos). Mas foi no ano passado, numa viagem a Chicago que tive o último empurrão. Passei horas na Gramaphone Records, loja inaugurada em 1969 que participou diretamente de todo o movimento Disco e de sua transição ao house, onde encontrei um resumo de tudo o que quero apresentar no 78. Daí veio minha vontade de curtir esses momentos com outros amigos DJs. Com o convite do Vista para uma residência numa arquitetura de Niemeyer, no Bar que mais parece uma sala de estar, com uma panorâmica singular da cidade, completou o momento certo pra propôr essa pista. Como vamos seguir? Ainda nem pensei, e também não sei se quero muitos planos, o interessante agora é deixar acontecer. Mas sim, não pararemos por aí!

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Ao longo dos anos, festas dedicadas a Disco Music ganharam um certo ar de flashback, atmosfera essa que não deve dar o tom ao projeto no Vista. Você poderia antecipar algumas novidades em relação ao que está sendo projetado para a residência?
78 não é um projeto de flashback, minha idéia é abusar dos clássicos que continuam atuais, tracks pouco explorados e principalmente mostrar pra onde esse som evoluiu, usando das novas roupagens. 

Para fechar, vamos aprofundar um pouco mais o papo rumo a sua coleção de discos. Quais são seus 5 vinis preferidos da Disco Music? Obrigado!
Seria injusto falar que estes são meus preferidos (risos), a lista é grande! Mas aí vão 5 que me vieram à cabeça neste momento: 
Brainstorm - We're On Our Way Home
The Isley Brothers - It's A Disco Night
Heatwave - The Grooveline
Gino Soccio - Dancer
Cerrone - Supernature

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