Willian Morais

por Francisco Cornejo

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Criar uma presença ativista de notoriedade é algo fácil no ambiente volátil das redes sociais nos dias de hoje, mas torná-la profícua através de algo mais que tipo de especulação superficial nos ativos da economia do ultraje que grassa pelos nosso meios comunicacionais exige ir além das lamúrias e denúncias, oferecendo algo mais que a exaltação do óbvio: estamos falhando miseravelmente em interagirmos de um modo decente e inteligente com nossos semelhantes. É aqui que um horizonte, uma alternativa, se apresentam como algo não só positivo, mas necessário, e a música é a melhor saída para encontramos o primeiro e a mais certeira fonte para criarmos a segunda. E foi algo que Willian aprendeu desde cedo em sua jornada como DJ e polemista.

Oriundo de Osasco e até hoje um orgulhoso residente do Mundo de Oz, ele é fruto de um daquela mistura tão rica entre um ambiente doméstico bastante musical e uma trajetória de amadurecimento com boas doses de hedonismo fornecidos por uma vida noturna minimamente pujante que uma cidade metropolitana oferece. Neste set ele nos traz muito de suas influências e experiências com e na música. Típico de quem vive para ela. 

Como foi que começou essa lambança na sua vida de se envolver com música, pessoal e profissionalmente?
Ouvia as fitas que meu pai gravava,as montagens do Grego e de outros DJs dos anos 80. Ele mesmo era DJ e fazia os bailes dele em Osasco antes de arrumar dois filhos em 1 ano e 2 meses (risos). Eu comecei gravando fitas das músicas que eu gostava, coisas de Soul, Funk, disco e rock mais tarde House e Techno. 

Minha mãe até hoje se decepciona em saber que ouço barulheira ao invés de tocar violino na igreja...

The Sound of Osasco é um excelente nome para qualquer iniciativa musical oriunda de Oz, essa urbe tão colorida e excitante da região metropolitana de SP. Qual sua relação com a cidade e como ela moldou a sua com a música?
Nasci em Osasco e passei a infância com meus tios falando do Hortência, do Rhapsody, meu pai do Cobraseixos e dos bailes de bairro. Oz está carente de uma cena e olha tantos lugares e DJs que se criaram aqui. O The Sound Of Osasco veio na minha cabeça enquanto andava de trem e numa desses relâmpago que a vida dá veio o nome.

Sua presença online é marcante, para dizer o mínimo, e seus sets têm uma rotatividade e alcance invejáveis. Esse êxito se repete na vida real? Se for para deitar o cabelo para o seu som, onde podemos colar?
É como sempre digo: a gente ganha de um lado pra perder do outro. Eu estou fazendo um trabalho de base que comecei com a internet, no Mixcloud e onde tenho, Graças a Deus, números altos que me levaram a portais grandes como a WCDB de Nova York, onde mensalmente toco no Funky Corners, e numa webradio francesa, a Rádio Raptz, onde tenho o Osasco Rádio toda quarta. Também rolam participações na Soul Cool Records, essas possuem alcance bem maior até. 

Fora das Internetês, estamos procurando um espaço não só pra tocar,mas para que deixem tocar aquilo que tem que ser tocado, porque alguém chegar com uma planilha do que tem que tocar e o que não tem é dose pra mamute.

E, para alguém que é tão profícuo em gravar sets, vale perguntar: o que faz desse algo especial? Qual o mote ou a inspiração que o fizeram vir à luz?
Música é momento, ela me tirou de uma quase depressão em 2013, quando não estava mexendo com nada e estava mal mesmo, naquele loop de trabalho/casa, casa/trabalho e o que me salvou foi ter ligado na 97FM e escutado um set do Akeen, ele estava tocando “Wide Shot” do Superior Movement. Meu dia mudou. Tem momentos em que você vai a uma festa e resolve pegar inspiração, acaba grava 4 ou 5 sets. Tem momentos em que já fiquei 6 meses sem gravar (mas postando aquilo que deixo na reserva). Ouço sets de outros DJs que me mandam e gosto muito que me enviem...

Agora, a clássica pergunta final que sempre aponta em direção ao futuro: onde, quando e como podemos conferir seus próximos passos nesse aterrorizante mundo da música?
Em breve (muito breve mesmo) pretendo começar a produzir. Faz tempo que estão no meu escutador de bolero falando que tenho uma bagagem musical (não acho) e que seria interessante se eu produzisse. Desde 97 ouço que DJ tem que ser produtor, mas como sempre falo: "Demorei 28 anos para começar a discotecar, sendo que 20 foram pesquisando". Então, tudo no seu tempo. Penso também em organizar uma festa, isso em 2020 ou 2021, coisa pequena para testar as águas.